Quadrinhos Gonzo

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Descomunicadores 22

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Written by Jussara Gonzo

21 de julho de 2014 at 13:37

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023

Written by Jussara Gonzo

19 de julho de 2014 at 12:37

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Thief – O Mestre das Sombras

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Ok… este é um blog de quadrinhos, mas eu estou seca para falar deste série de jogos. Uma das minhas favoritas!

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Era o ano de 2001. Lembro perfeitamente porque eu estava no colégio nesta época e um dos meus colegas de classe ficou surpreso quando eu comentei casualmente que estava jogando (e adorando!) um jogo em primeira pessoa chamado Thief 2: The Metal Age.

“Você joga Thief?!” ele exclamou. “Achei que ninguém conhecia este jogo!”

Pois é, e quase ninguém conhecia (ou mesmo conhece) esta maravilhosa série. Thief foi desenvolvido pelo extinto estúdio Looking Glass e lançado pela produtora Eidos Interactive no final dos anos noventa e foi pioneiro no campo de jogos Stealth (onde o jogador deve se esconder do perigo e tentar eliminar qualquer ameaça sorrateiramente). Eu a descobri quando estava lendo uma revista (acho que era uma Super Interessante) e vi alguém falar bem deste jogo. Era uma notinha mínima, mas me chamou a atenção.

Encontrei o jogo num supermercado (!) e o comprei. E até hoje é uma das melhores experiências que tive com games na minha vida!

Farei um apanhado geral da série logo abaixo. Espero que gostem e se interessem pelos jogos!

THIEF – THE DARK PROJECT

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Lançado em 1998, Thief: The Dark Project nos apresenta à Garret. Um jovem órfão abandonado nas ruas que precisa roubar para sobreviver. Ele vive num lugar conhecido apenas como ‘A Cidade’, um amontoado de ruas, becos, casas de madeira e mansões de mármore. Neste lugar o abismo que separa os ricos dos pobres é gigantesco. A época seria uma espécie de início da Era Renascentista.

Uma noite Garret acaba afanando a algibeira de um homem estranho, mas é pego no flagra. O sujeito, ao invés de chamar a polícia, o elogia e diz: “Você tem talento. Não é fácil ver um Keeper (Guardião), especialmente quando ele não quer ser visto”. Assim começa a carreira de Garret como um ladrão profissional.

Neste jogo, o rapaz está fazendo seu trabalho de ladrão, como sempre. Roubando para pagar o aluguel e estas coisas. Sua fama cresce e ele começa a ganhar clientes. Então bate à sua porta um cavalheiro de meia-idade acompanhado de uma bela dama. Eles têm uma proposta interessante para o jovem ladrão: que ele roube alguns artefatos dos Hammerites (Martelistas), uma ordem religiosa da cidade que venera o Construtor, uma divindade que representa a lei e a ordem. Como o dinheiro é bom, o rapaz decide entrar no esquema, sem saber que ele está auxiliando os Pagans (Pagãos) uma ordem religiosa primitiva que venera os antigos deuses do caos e é inimiga dos Hammerites… e deixa eu parar por aqui antes que role muito spoiler!

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Várias sites de críticas de games, como o Gamespot, consideram Thief: The Dark Project, um dos melhores jogos de todos os tempos. Ele foi o primeiro jogo de stealth a usar luz e som como mecânicas de jogo, e o primeiro a apresentar a perspectiva em primeira pessoa. Seu uso desta perspectiva para jogabilidade de não-confrontamento desafiou o mercado de tiro em primeira pessoa. O design do jogo combina inteligência artificial complexa com sistemas de simulação para permitir uma jogabilidade emergente. A influência de Thief foi notada em títulos de stealth posteriores, incluindo Tom Clancy’s Splinter Cell e Hitman 1.

Sem falar que o jogo também possuía um pequeno toque de Terror que fisgava também os fãs dos gêneros de ‘games de medo’. Desde então todo jogo de Thief possui uma fase que é feita especialmente para horripilar os cabelos dos jogadores.

O sucesso do título foi tão grande que pouco tempo depois foi lançado uma versão ‘Gold’ conhecida apenas como Thief Gold com algumas missões extras.

Preciso, antes de mais nada, confessar uma coisa: eu nunca joguei este primeiro título! Mas tantos reviews positivos não podem estar errados. Sem falar que entendo perfeitamente a emoção de alguém estar jogando pela primeira vez um título como este. E justamente por este ter sido o primeiro ‘Thief’ de muitos é que ele possui um lugar cativo no coração dos fãs. Mas no caso o meu primeiro Thief foi o próxima… e sim, ele tem lugar cativo no meu coração!

THIEF 2: THE METAL AGE

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Algum tempo se passou desde os eventos do primeiro jogo. Garret, contundido, possui agora um olho mecânico, presente dos seus amigos Hammerites. Porém ele logo vai descobrir que esta ordem religiosa não é tão amigável assim…

Surge um novo sacerdote na ordem: Karras. O homem possui uma visão diferente do deus Construtor, acreditando que o desejo da entidade é o avançado progresso científico, algo que os próprios Hammerites não estão muito confortáveis, pois eles apenas desejam manter as coisas ordenadas do jeito que estão. Karras, então, funda uma nova ordem: os Mechanistis (Mecanistas) que irão defender as ideias do seu mestre com unhas e dentes… não importa o quão loucas sejam estas ideias.

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De um modo geral, Thief 2: The Metal Age é bastante similar ao primeiro jogo, apenas com gráficos um pouco melhores e algumas armas novas. Lançado em 2001, arrancou ótimas críticas e fez bastante sucesso. Mas infelizmente o estúdio Looking Glass já estava passando por dificuldades financeiras e teve de fechar as portas.

Neste jogo, algumas fases possuem momentos bem assustadores, como quando você entra no subsolo da igreja e descobre que os mortos ainda estão andando… Ou ainda quando você invade uma mansão e entra em uma biblioteca assombrada cheia de fantasmas furiosos! Mas uma em especial é uma fase onde você entra num mundo estranho, cercado de pagans mortos e criaturas sinistras… bem, pelo menos para mim foi uma fase bem desconfortável!

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Minha opinião sobre este jogo? É o MELHOR de todos os Thiefs! A melhor história, as melhores fases, gráficos adequados para a época e jogabilidade suave e funcional. A+! E eu não estou sozinha: muitos fãs de Thief que jogaram a série inteira também consideram o segundo melhor!

Outra coisa que faz com que este jogo seja especial é que, na época, eu descobri o site Thief – The Circle onde vários fãs se reuniram para pegar a engine dos dois primeiros jogos, chamada Dark Engine, para produzir suas PRÓPRIAS novas fases para Thief 1 e Thief 2! Siiim, existem centenas de fases criadas por fãs, algumas realmente muito boas, que fazem com que a experiência de se jogar Thief se prolongue muito!

Dou destaque para a expansão não-oficial chamada Thief 2X: The Shadow of Metal Age, que possui várias fases (uma MUITO horripilante!) a campanha criada pelo grupo The Circle chamada CoSaS (infelizmente nunca terminada, mas suas duas únicas fases valem muito a pena!) e duas maravilhosas campanhas criadas por um romeno que são ambientadas no mundo de Drácula e outra de Elisabeth Báthory. Sim, existem outras maravilhosas fases feitas por fãs, mas estas que citei merecem grande destaque!

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Thief 2 é, e sempre será o melhor Stealth que já joguei! Extremamente desafiador (numa época em que dicas e truques não eram tão comuns), extremamente viciante e muito gostoso de se jogar. Foram tantas horas de gameplay que chegou um momento que eu conseguia matar 6 guardas furiosos com apenas 6 flechas… *bocejo*… no big deal! Mas as fases feitas por fãs me deixaram bastante ocupada depois que zerei o jogo original umas dez vezes. De longe, o jogo que eu mais joguei na minha vida repetidas vezes depois de Sonic 1!

THIEF 3: DEADLY SHADOWS

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O terceiro título de Thief foi lançado em 2004 pelo estúdio Ion Storm Inc. A apreensão dos fãs com este jogo foi grande. Primeiro porque estavam felizes em ver o bom e velho Garret de volta à ativa, mas também estavam temerosos sobre o que este estúdio iria fazer.

O que posso adiantar para vocês é: não decepcionou!

A história mostra Garret recebendo um pedido de ajuda de seu antigo amigo Keeper: uma estranha profecia está prestes a se cumprir e a ordem tenta antecipar o que vai acontecer. Hammerites e Pagans estão envolvidos novamente, mas desta vez eles são apenas peões neste intrincado jogo de xadrez. Esta profecia fala de algo que promete mudar a cidade para sempre, e provavelmente não será para a melhor…

Desta vez somos melhores apresentados ao grupo que acolheu Garret na infância. Os Keepers são estudiosos que têm como juramente ‘proteger a cidade’, embora eles não digam exatamente do quê… Possuem vasto conhecimento, sabem todos os segredos de todas as pessoas que vivem naquelas ruas e manipulam um tipo estranho de mágica rúnica que permite a eles abrir portais, melhorar armas e até destruir inimigos.

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As novidades deste novo título é que agora podemos ver Garret em terceira pessoa (embora esta visão seja opcional). E outra: agora temos a possibilidade de explorar a cidade livremente antes de começarmos as missões principais. Sim, side quests foram adicionadas e algumas reservam momentos divertidos (como uma em que Garret está escutando uma conversa entre dois estranhos e um deles diz para outro “Sim, eu sou o Mestre Ladrão Garret! Você tem uma missão para mim?”.

Vale a pena destacar neste título por uma coisa em especial: uma de suas fases foi considerada, na época, a coisa MAIS horripilante já desenvolvida para um jogo! Conhecida como Robbing the Cradle. Nela, Garret procura por uma das últimas pistas faltantes para resolver o quebra-cabeça da profecia e se vê obrigado a entrar num lugar conhecido como ‘The Cradle’, uma antiga clínica psiquiatra que, ao mesmo tempo, atendeu doentes mentais e crianças órfãs há muitos anos. Nesta clinica uma criança desapareceu e nunca foi encontrada, mas seus coleguinhas são unânimes (e mortalmente sérios) ao afirmar que a menina foi pega pela ‘Velha Bruxa’… e quem somos nós para duvidar?! – e tenho que confessar que eu não aguentei terminar esta fase! Importei um jogo salvo de outro cara para poder continuar o jogo…

Por pouco este título não supera Thief 2 como melhor história. É realmente intrigante como ela se desenvolve! Sobre os gráficos, eles estão lindos para a época, mas a jogabilidade ficou um pouquinho prejudicada… em especial com a câmera em terceira pessoa que realmente é muito ruim. Mas ainda assim é um ótimo jogo!

THIEF 2014

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Quando este jogo foi anunciado em 2009 a primeira coisa que pensei foi: ‘Preciso juntar dinheiro para uma placa de video nova!” Bem, eu tive muito tempo para economizar dinheiro, pois o jogo só foi lançado em 2014 pelo estúdio da Eidos Montreal. Vamos à ele?

A Cidade mudou. Garret mudou. Mudou tanto que… não é mais o mesmo. Literalmente!

Aqui começa a bagunça: este Garret  não é o mesmo personagem. A ideia do estúdio de dar um reboot na série fez com que este não fosse mais o velho ladrão que conhecíamos, mas alguém totalmente diferente que apenas partilha o mesmo nome (embora é incrível como isto não fica claro em nenhum momento do jogo…). O antigo Garret se foi, assim como a antiga cidade: os Hammerites não existem mais, os Pagans não existem mais, os Keepers não existem mais… até seu antigo amigo, Basso, foi substituído por OUTRO Basso… porra! Poderiam ter feito a gentileza e mudado o nome da franquia também, afinal foram retirados TODOS os elementos pertinentes à série.

Mas vamos à história: Garret é um mestre ladrão que acaba encontrando, por acaso, uma de suas pupílas, a jovem ladra Erin. Os dois aceitam um contrato de Basso para roubar um objeto valioso do barão da cidade. Irritado com o costume da garota de matar primeiro e perguntar depois, Garret rouba dela sua arma… o que acaba fazendo falta para ela quando ela se vê numa enrascada. Garret ainda tenta salvá-la, mas os dois acabam indo parar dentro de um estranho ritual que o barão estava realizando e aí as coisas ficam feias. Uma explosão de energia toma conta da cidade.

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Uma ano se passou… Garret ficou comatoso este tempo todo. Quando ele acorda ele vê a cidade como um inferno: uma doença conhecida como The Gloom mata milhares e enquanto isto o barão aperta ainda mais as leis e os pobres e desafortunados começam a se unir para criar uma rebelião. E agora ele precisa descobrir o que houve com Erin, se ainda está viva ou, se está morta, o que ele precisa fazer para vingá-la.

Bom… primeiro as boas notícias: os gráficos são lindos, a jogabilidade é bacana e o jogo possui algumas partes realmente desafiadoras durante o seu free-play (quando você está em busca das sidequests, como no jogo Deadly Shadows).

As más notícias… e são muitas: o simples fato de terem mudado TANTO o universo do jogo para criar este reboot já azedou e MUITO com a paciência dos fãs. Pior! Isto nem é explicado direito! Eu fiquei horas jogando Thief esperando para ver de novo meus queridos Hammerites, meus Pagans, meus Keepers… e nada! E só descobri que aquele Garret não era o mesmo Garret quando fui pesquisar na internet. SACANAGEM! Fui enganada!

E não pára por aí: o jogo chega a ser muito fácil em alguns momentos (algumas sidequests são mais difíceis que as missões principais!). Possui uma gama de personagens interessantes mal-explorados, enquanto dão destaque demasiado para a irritante Erin! Ver ela se tornando o centro da trama irrita demais! E de uma maneira geral o jogo é curto: fechei ele em menos de uma semana, e olha que eu não sou jogadora fanática! Ah sim, e o mapa da cidade é bem chato, pois apesar de te indicar o caminho para onde você deve ir ele não te indica como chegar lá… esta é a parte mais desafiante quando você joga as sidequests, encontrar ONDE está a maldita porta/janela/fresta que você tem de entrar!

E a famosa ‘fase de medo’ deste jogo fica com “The Forsaken”, onde Garret precisa investigar uma antiga clínica psiquiatra (de novo!). Nem de longe esta fase é tão assustadora quanto Robbing The Cradle (concluí ela rapidinho!), mas dá os seus sustos – razoável para um jogo que não é de horror.

Apanhado geral: PIOR história. Gráficos bons. Jogabilidade boa. Um pouco curto. Até vale a pena jogá-lo sim. E se você gosta de games neste estilo vai se viciar… por um tempo! Concluí o jogo há poucas horas e não estou com muita vontade de voltar a jogá-lo.

Na verdade fiquei com vontade de jogar de novo Thief 2 e Thief 3… jogos muito bons! Destes dois você tem muito que correr atrás (até porque quem corre na frente é bandido!)

013

Written by Jussara Gonzo

5 de julho de 2014 at 20:33

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Surpresa! Quadrinho nacional com PMs

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CoronelTelhadaHQ

Na última semana o mundo dos quadrinhos nacionais foi pego totalmente de surpresa com o lançamento da revista Coronel Telhada, um policial militar mostrado de forma ‘heróica’ numa hq direcionada ao público adolescente.

A história tem como protagonista uma pessoa real: Cel. Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, ex-PM e atualmente vereador na cidade de São Paulo. O coronel fez parte da rota e trabalhou muitos anos fardado. Seu discurso a favor da polícia militar e centrado na segurança o fizeram ser um dos vereadores mais bem votados nas eleições de 2012.

Realmente é de se surpreender que uma nova revista nacional tenha sido lançada a esta altura do campeonato e SEM passar pelas lentes da ‘Tropa de Elite’ nerd brasileira. Mas existem nomes razoavelmente famosos envolvidos: a arte fica por conta de Carlos Sneak, que ficou conhecido por ter desenhado a hq Rapsódia na extinta revista Ação Magazine – alias, dos remanescentes do projeto ele parece ser o único que ainda aparece aqui e acolá com trabalhos.

Imediatamente após o anuncio da hq, houve muitos comentários rolando soltos pela net. Só que eles não eram direcionados ao trabalho de quadrinhos em si, mas ao significado daquela publicação. De um lado tivemos pessoas que achavam que era um absurdo glorificar a truculenta polícia militar numa história em quadrinhos para crianças (embora tenha na capa uma tarja indicando que a obra é recomendada para maiores de 16 anos… huh… a idade mínima para votar?) e do outro pessoas que aplaudiam a iniciativa, certamente eleitores do Telhada ou simplesmente pessoas que admiram o trabalho da polícia.

Honestamente? Como fã de quadrinhos fiquei decepcionada com AMBOS os lados. A hq em si não importa, o trabalho do artista não importa, o que só importa mesmo é se você é a favor ou contra a PM – e provavelmente a maioria das pessoas vai comprar ou deixar de comprar a obra por conta disto.

Meus dois centavos sobre o assunto: é óbvio que o senhor Telhada não está dando ponto sem nó, ele quer ser mais conhecido e realmente quer que a polícia militar de São Paulo seja vista com uma outra cara.. e não há NADA de errado nisto! Quadrinhos, filmes, documentários e livros que glorificam figuras públicas existem aos montes por aí. Claro que a visão antiquada do brasileiro, em pensar que quadrinhos é ‘só para criança’ pode imediatamente pensar em maniqueísmo. Bem… já tivemos personalidades que pessoalmente não valiam nada sendo glorificadas nos quadrinhos, como Airton Senna (siiiim, um grande campeão, mas um nojo de pessoa). Então, qual o problema?

Outra coisa que me chamou a atenção foi a entrevista que ele deu ao site Universo HQ onde ele falou abertamente sobre os problemas que envolviam publicar quadrinhos no Brasil. Segue o trecho:

“UHQ: Há planos para novos projetos neste mesmo formato?

Telhada: Tudo dependerá da venda da revista. Estamos colocando um preço de custo, cinco reais. Com este valor, pagaremos o essencial e digno para o desenhista e a impressão. O problema é que quase 60% do preço de capa já fica com a distribuidora e as bancas. Além disso, teremos de vender pelo menos 15 mil reais, ou seja, 3 mil exemplares, para não termos que pagar uma multa para a distribuidora.

É muito complicado, trabalhoso e caro lançar quadrinhos no Brasil. Não imaginei que seria tão difícil quando surgiu a ideia. Espero, sim, que tenha uma segunda edição, para contarmos ocorrências da Rota, e possamos valorizar mais artistas nacionais, divulgando novos desenhistas e fazendo um bom pagamento para cada um deles. ” 

Fonte Universo HQ.

O público em geral não manja destas coisas e achei bem legal que os envolvidos em uma hq que não seja centrada no público nerd abram o jogo assim. A maioria das editoras costuma ser muito reticente a falar dos seus problemas de distribuidoras e tiragens… é como a sexualidade da Xuxa: a gente sabe, mas não comenta.

E por falar em dificuldades, ontem (dia 30 de junho) tentei procurar o quadrinho numa banca aqui perto, em São Paulo, mas não encontrei. Infelizmente isto que é distribuição no Brasil: um trabalho caro, lento e ineficiente.

Honestamente? Apesar de não aprovar nem um pouco a truculência da polícia militar e de já ter conhecido policial militar que falava na cara dura que fazia parte de grupo de extermínio e tudo eu QUERO que esta hq venda bem e faça sucesso!

… se a distribuidora permitir.

menino

Written by Jussara Gonzo

1 de julho de 2014 at 8:50

Review: Inu Yashiki (ou “Somos todos SRD”)

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InuYashiki_c01_-_p01_Utopia

Sempre ouvi falar que o Japão é um país que reverencia os idosos.

Isto não é boato: eles realmente reverenciam os mais velhos. A maioria dos políticos japoneses estão beirando ou já ultrapassaram os sessenta anos, os donos de firmas são respeitáveis homens de cabelos brancos, o país orgulha-se de ter uma das expectativas de vida mais altas do mundo. Filhos realmente cuidam dos seus pais e avós até o fim.

Isso, é claro, para os vovozinhos privilegiados. Para cada respeitado Akihito existem centenas de Inu Yashiki.

Quem é ele? Ora, Inu é apenas um senhorzinho de 58 anos cuja família não lhe dá a mínima bola. Às portas de se aposentar, ele não vê nenhum tipo de gratidão ou interesse dos seus parentes por tudo o que ele já fez. Sim, provavelmente devido ao costume social eles vão cuidar dele na velhice, mas ao mesmo tempo lhe tratam com frieza: a esposa só fala com ele quando precisa reclamar de algo, a filha finge para todo mundo que o pai é seu avô (pois ele aparenta ter bem mais idade) e o filho mais novo que está sofrendo de Ijime (o bullying japonês) e tem seus próprios problemas para cuidar.

E no meio disto tudo temos o pobre senhor Inu, que é obrigado a encarar um trem hyper lotado para o trabalho (viva! Não é só aqui!), comer sozinho, sentir o peso de ser uma ‘vergonha’ para seus filhos e não ter ninguém para conversar. Pior: uma notícia terrível o pega de surpresa e ele não consegue compartilhar isto com a família, tendo que sofrer calado.

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Trem lotado Padrão Copa do Mundo

Historinha triste… mas só até o final do primeiro capítulo.

Inu Yashiko é escrito e desenhado por Oku Hiroya, mangaká que ficou famoso pelo ultraviolento e ultrapelativo Gantz. Parece que depois de ter desenhando muita mulher pelada e muito sangue e vísceras explodindo o autor decidiu fazer uma história mais tranquila. Mais dramática. Mais real.

Real? Beeeem, existe sim o seu toquezinho de surreal nesta história, o que é uma pena – eu preferiria que ele se centrasse totalmente na realidade. Mas por um lado é bom porque a fantasia imbuída nesta série ajuda a ter esperanças sobre um futuro feliz para o velhinho (algo que, se fosse na vida real mesmo, ele não teria esperança nenhuma…).

Mas isto não significa que ele é totalmente dependente do Deus Ex Machina. Após este evento surreal que ocorre na vida do senhor Inu, ele passa a rever melhor a sua vida: trabalhou feito uma formiga estressada combinada com um camelo workaholic e não conseguiu muitas coisas na vida em termos de dinheiro, nem o respeito e amor da família. Então ele decide aproveitar para dar uma virada e começar a viver a partir daquele momento.

Respeito aos idosos Padrão Brasil

Respeito aos idosos Padrão Olimpíadas Rio

A história está só começando e ainda não teve nenhum volume compilado até agora. Ainda há muita água para correr debaixo desta ponte, mas admito que a história, apesar do toque sobrenatural tirar um pouco da graça, fisgou minha atenção e vou ficar de olho nela. Afinal é bem desenhada e o roteiro não é ruim. Sem falar que um protagonista idoso é bem raro de se ver em qualquer tipo de quadrinhos.

Quem se interessou pela saga, pode ler a versão em português AQUI! E eu recomendo muito mesmo que vocês leiam, no mínimo o primeiro capítulo, principalmente para o povo que acha que o Japão é o país perfeito!

EDITORA: Na japa é a Kodansha, aqui não tem por enquanto, mas bem que podia!

PREÇO: Sei lá, um punhado de ienes

AVALIAÇÃO: Bem bacaninha. Deve ser mostrada para os OtaCUs, urgente!

Written by Jussara Gonzo

6 de junho de 2014 at 8:57

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Descomunicadores 20

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Written by Jussara Gonzo

1 de junho de 2014 at 8:34

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Mercado Nacional (ou “Este é o país que vai sediar a copa?!”)

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O mercado não-independente de quadrinhos nacionais é tão árido que mesmo pequenas vitórias já nos trazem grande alento. Embora o número de álbuns fechados tenha se multiplicado consideravelmente (sobretudo graças ao advento do Proac e depois do Catarse), os quadrinhos seriados, aqueles que REALMENTE fortalecem a indústria, continuam relegados às franquias Turma da Monica e Luluzinha.

Em 2010 a HQM Editora tentou mudar isto. lançando dois mangás nacionais: “Príncipe do Best Seller” e “Vitral” das gêmeas Soni e Shirubana. Uma manobra ousada, mesmo levando em conta o sucesso que a ‘versão mangá’ de Turma da Monica estava fazendo. Os títulos se tornaram grande sucesso e até foram distribuídos em bancas de jornal (o grosso do material da editora, até então, era vendido em Comic Shops).

No ano seguinte, porém, as coisas ficaram ruins para a casa de publicação e os mangás começaram a ser ameaçados pela famigerada ‘Maldição do Número 1′ – aquela que sentenciava que qualquer material nacional estava destinado a só sobreviver por uns dois ou três números, ou mesmo parar no primeiro.

A publicação simultânea dos volumes 2 e 3 em 2012 (desta vez apenas nas comic shops) trouxe um pouco mais de esperança, embora ao mesmo tempo outro grande sonho naufragava: o almanaque Ação Magazine, idealizado por Alexandre Lancaster como um compilado de quadrinhos nacionais em estilo mangá, acabou sendo cancelado no volume 3.

Aos trancos e barrancos a HQM publicou as edições 4 dos mangás… e depois a 5, juntamente com o lançamento de seu novo título “Vidas Imperfeitas” de Mary Cagnin. E neste último Fest Comix publicou as edições 6 dos mangás das irmãs, assim como também concluiu ‘Vidas’ (publicando ao mesmo tempo as edições 2 e a última, 3) e iniciou a publicação de “Salvation“, de Andre Araujyo - para surpresa de todos, um mangá de temática evangélica.

Enfim, depois de anos, quadrinhos nacionais seriados estavam sendo concluídos no país. Claro, o número pequenos de edições colaborou para isto. Mesmo assim foi uma singela e significativa vitória.

Algumas das últimas tentativas de um quadrinho nacional seriado ser publicado foram com “Ronin Soul” (de Rod Pereira) e “Ethora” (do estúdio Kanetsu) em 2005 – apesar de serem de editoras diferentes, um fazia propaganda para o outro. Ronin desapareceu depois do número 2 e Ethora conseguiu sobreviver até o número 6, embora, após sua terceira edição, já estava fora das bancas convencionais.

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Dentro dos quadrinhos infantis, a própria HQM tentou emplacar a volta dos quadrinhos do “Senninha” em 2008, mas as baixas vendas impediram a continuação da publicação. Novamente, o mercado se restringiu à Turma da Monica. Mas a maior novidade do final daquela década ainda viria da própria turminha.

Em 2009, como todos já sabem, surgiu “Turma da Monica Jovem” e logo depois “Luluzinha Teen“. Cheio de controvérsias, ambas as obras foram apontadas como ‘guia de como ser um aborrecente clásse-média politicamente correto’ (a palavra ‘coxinha’ ainda não estava na moda). A falta dos quilinhos a mais tanto da Mônica como (mais grave ainda!) do Bolinha realmente testaram a paciência de quem já era fã das séries. Mas a bem da verdade é que ambas estas obras, apesar de se definirem ‘para adolescentes’ na verdade eram direcionadas para crianças. Por isso que, até agora, temas mais espinhudos como sexo (os namoros ficam limitados à beijinhos) ou drogas ainda não foram abordados em suas páginas. Mas quem sabe mais para frente?

Bem ou mal, estes são dois quadrinhos nacionais SERIADOS que estão vendendo bem, e isto é ótimo! Até o humorista Didi tentou sua versão ‘jovem’ nos quadrinhos, mas que acabou naufragando.

Senninha-edição-1-HQMRG Exclusivo Rio de Janeiro (RJ) 22/05/2009  Luluzinha Teen. Foto Reprodução

As novidades do Maurício de Sousa porém não ficaram só nessa. Depois de chamar vários desenhistas para ‘brincarem’ com seus brinquedos, nos ótimos álbuns “Maurício de Sousa por 50 Artistas” e suas três continuações, ele decidiu abrir espaço para que outros autores não só trabalhassem com seus personagens, mas o fizessem em álbuns de luxo. A MSP Graphic Novels lançou obras-primas como “Astronauta: Magnetar” e aquele que eu considero o melhor até agora: “Piteco: Ingá“. Sim, estes dois são álbuns fechados, mas o anuncio do volume dois de Astronauta me deu esperança de que, quem sabe mais para frente, o mogiano não decida criar uma revista seriada com autores convidados para desenharem suas próprias versões da turminha?

O balanço atual dos quadrinhos nacionais ‘indies’ é bastante promissor. No próprio Fest Comix, vários independentes lotaram mesas para apresentar seus trabalhos. Na internet também temos vários quadrinhos de grande qualidade sendo publicados em coletivos como Conexão Nanquim e Petisco. E muitos destes autores conseguem manter uma razoável periodicidade.

PE-RI-O-DI-CI-DA-DE: esta é a chave para fazer o mercado nacional voltar a crescer. Mas não se consegue isto apenas com força de vontade. É preciso insumos para manter os artistas trabalhando. O Estúdio do Maurício de Sousa já sai na frente por possuir uma estrutura que sustenta artistas desde os idos dos anos 70. A Luluzinha Teen também é produzida por um estúdio próprio e recebe dinheiro da Ediouro para fazer o trabalho. Este é o motivo pelo qual ambas as revistas se sustentam.

Mas caso das irmãs Soni e Shirubana, de Mary Cagnin e Andre Araujyo, eles ainda trabalham como quadrinistas nacionais do modo tradicional: não recebem pelas páginas publicadas, apenas a porcentagem de vendas. Não é o ideal, mas é ‘o que tem para hoje’. E isto, infelizmente, ocorre com TODAS as editoras do país! Incluindo as grandes, como a Panini – uma editora pequena como a HQM fazer este esquema é até compreensível, mas não uma casa editorial internacional…

Seja quadrinhos, livro ou revista, muitos fornecedores de conteúdo recebem apenas uma porcentagem das vendas (quando recebem!) e não pelo seu trabalho feito.

Para conseguirmos fortalecer este mercado, precisamos de mais investimento neste. As editoras (principalmente as grandes) precisam perder o medo e realmente apostar nos talentos que existem dentro do país. Temos sim, potencial para produzir obras que possam inclusive ultrapassar as vendas de uma Turma da Monica Jovem fácil, fácil… basta ter coragem.

Ah, e mais uma vez, parabéns à Soni e Mary pela conclusão de suas obras, e também à HQM Editora. Vocês já entraram para a história!

Turma_da_Mônica_Jovem

 

Written by Jussara Gonzo

30 de maio de 2014 at 9:25

Publicado em ARTIGOS

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