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Corrente de Reviews 2014 – Cemitério dos Vaga-Lumes

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Olá, pessoal!

Fui convocada para fazer parte da CORRENTE DE REVIEWS 2014, promovida pelo blog Anikenkai! Um grande evento da mídia especializada brasileira de mangás e animes que tem como objetivo fazer análises de obras de quadrinho e animação japonesas e, ao mesmo tempo, usar esta corrente para divulgar blogs informativos do gênero que talvez você não conheça.

Nesta corrente, vários blogs e sites estarão um indicando o outro com uma obra diferente para ser analisada! Você poderá ver a seleção completa dos convocados nos links do parágrafo acima.

Minha indicação de obra para ser analisada foi feita por NOT LOLI. Irei hoje fazer um review de uma das animações mais tristes já criadas: O Cemitério dos Vaga-Lumes ou Hotaru no haka!

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TRISTES PIRILAMPOS…

Antes de mais nada, um aviso: se você chorou em Rei Leão (é OBVIO que sim!), prepare-se para ir assistir este filme com um balde e um pano de chão por perto. Esta animação vai mexer com suas estruturas.

Baseado na semi-biografia do novelista japonês Akiyuki Nosaka, Cemitério dos Vaga-Lumes – uma produção do inesquecível Studio Ghibli – é um filme ambientado no Japão, durante o período da Segunda Guerra Mundial, então ele, por si só, já é um filme triste por natureza. E talvez o fato dele ser uma animação faz com que os nossos sentimentos aflorem com mais intensidade. Sim, eu tenho uma teoria: você chora muito mais assistindo um desenho animado do que um filme porque, de certa forma, todas as animações nos trazem uma informação subconsciente de que aquilo tem de ser ‘bonitinho’ e tem de ter ‘um final feliz’ – sem falar do elemento involuntário de nostalgia. Claro, é só uma teoria minha… Mas vamos ao filme!

Os personagens principais de Cemitério dos Vaga-Lumes são dois irmãos, Seita e Setsuko. Logo no início do filme já temos um grande alento. A narração do personagem Seita: “21 de Setembro de 1945, este foi o dia em que morri.” Vemos então a morte do garoto: desnutrido, abandonado e sozinho numa estação de trem arruinada. Os lixeiros que vem para fazer a limpeza todos os dias olham para o garoto agonizante e dizem: “Mais um…”. O único pertence do menino é uma lata vazia de balas.

Quando o lixeiro a joga fora, vemos os vaga-lumes voando e a imagem de Setsuka e Seita juntos no que parece ser uma espécie de limbo onde ficam os mortos antes de partir. Eles tomam o trem que, obviamente, irá levá-los para o outro mundo e então o filme começa. Já está com seu baldinho preparado?

Voltamos um pouco no tempo e somos apresentados à primeira tragédia da vida dos meninos: a mãe dos dois é ferida num bombardeiro americano. Quando vemos a cena da mulher enfaixada e cheia de sangue, com a respiração cada vez mais fraca, logo nos damos conta que este não é, definitivamente, um filme para crianças. Com a morte da mãe e com o pai servindo na marinha japonesa as duas crianças ficam sozinhas no mundo e precisam ser acolhidos na casa de parentes.

A partir daí o que vemos é a dura realidade não só das crianças, mas como de todos os habitantes do Japão naqueles dias: fome, medo, desespero e desesperança. E para piorar as pessoas jogadas neste inferno começam a ficar insensíveis com tantas tragédias. A tia que abriga os dois irmãos começa a exigir que eles ajudem mais (apesar de estarem recebendo mantimentos de qualidade só porque o pai das crianças é militar). As coisas vão ficando cada vez mais difíceis e Seita faz de tudo para tentar poupar a irmã dos horrores da guerra. Porém ninguém parece querer ajudar – pior: todos se acham no direito de piorar ainda mais a vida dos irmãos, como se tivessem inveja da felicidade alheia.

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CRY, BABE, CRY…

A alusão aos vaga-lumes aqui é bem acertada. Estes pequenos insetinhos são criaturas que iluminam a noite escura com seu brilho, porém têm vidas curtas.

Setsuka é, de fato, a personagem mais iluminada da história. Com seu jeito inocente ela está sempre rindo, feliz e contente com as mais pequenas coisas. Seita faz de tudo para que ela permaneça assim, porém o mundo cai na cabeça deles a todo instante.

Mais do que o enredo e as situações que os personagens estavam vivendo, o filme foca nas ações e sentimentos dos personagens com o que lhes acontecia. Um dos pontos que as pessoas mais criticaram Seita é o momento em que ele decide sair da casa da família da tia, que está sempre com uma atitude negativa e condenatória, e tentar cuidar da irmã por si só. Infelizmente o garoto não esperava que as coisas lá fora fossem ainda piores e mais difíceis. A irmã adoece e… bom, não é um spoiler já a esta altura, certo? Setsuka morre.

Claro que nós, no conforto de nossos sofazinhos, podemos julgar mal Seita: achar que ele deveria ter tentado, a todo custo, ficar com a tia carrasca para pelo menos tentar salvar a irmã. Mas acho que ninguém neste mundo (talvez no máximo um sobrevivente da guerra no Japão) poderia dizer com certeza o que se passa exatamente na cabeça de uma criança que é constantemente empurrada e agredida física e mentalmente por todos a seu redor enquanto tenta, desesperadamente, proteger a irmãzinha. Ele sentia que a casa da tia não era um lugar bom, sobretudo para a paz de ambos. Sem falar que nenhuma cidade no Japão estava protegida: quem poderia garantir que aquela casa ainda seria um lugar seguro por muito tempo? É por isto que ele toma a decisão de sair de lá.

“Ei, ei!”… você deve estar pensando… “De que adianta você ficar contando todos estes detalhes do filme?!” Amigos, mesmo se eu contasse a história inteira (o Titanic afunda, só para você saber…), ainda assim o Cemitério dos Vaga-Lumes não é uma obra cujos acontecimentos são o mais importante. Não. O que realmente importa no filme é o modo como ele é contado e também os sentimentos dos personagens a cerca das situações em que são jogados – e, principalmente, os nossos sentimentos durante a experiência de assistir a animação.

O sempre genial Studio Ghibli nos apresentou um enredo extremamente comovente e realista. A animação, apesar de aos nossos olhos de hoje parecer um pouco ‘lenta’, é muito bem feita.

Se você está preparado para chorar e ficar o resto do dia meio bolado, assista ao filme completo com legendas em português AQUI – e mesmo que você não esteja a fim de chorar, ASSISTA! Pois existem certos filmes que precisam ser vistos.

Principalmente para nós, pessoas vivendo no ápice da prosperidade do mundo ocidental, que ficamos de mimimi porque não temos dinheiro para comprar uma placa de video nova para o computador.

Ficha Técnica

Título: Hotaru no haka / Grave of the Fireflies
Ano: 1988
Realizador: Isao Takahata
País: Japão
Duração: 93 min
Genero: drama, guerra
Estúdio: Studio Ghibli

INDICAÇÃO DA CORRENTE

Minha indicação para a Corrente foi para o blog TROCA EQUIVALENTE e eu sugeri o mangá Innocent, de Sakamoto Shinichi.

Estou muito ansiosa! :D Este mangá é demais!

Written by Jussara Gonzo

29 de outubro de 2014 at 8:25

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Written by Jussara Gonzo

20 de outubro de 2014 at 21:48

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Written by Jussara Gonzo

10 de outubro de 2014 at 21:21

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Written by Jussara Gonzo

3 de outubro de 2014 at 19:41

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Review: Toda Mafalda

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No dia 29 de Setembro de 1964 foi publicado, no jornal argentino Primera Plana a primeira tira da Mafalda.

Seu criador, Quino, havia inicialmente criado a personagem para uma peça publicitária do jornal Clárin, mas foi recusada. Como o trabalho do artista era muito bom um amigo sugeriu transformar a obra numa série de tiras diárias. E deu certo!

Mafalda é uma menina de seis anos de idade que, com suas perguntas, levanta a bola para uma porção de problemas sociais. Contestadora, de personalidade forte, ela não aceita as desigualdades do mundo e, mesmo com suas limitações de criança, ainda consegue incomodar os adultos: este gado que faz do mundo o que ele é.

Naturalmente, em meio a todo ‘papo de adulto’ ainda sobra tempo para ela discutir questões da infância. Entre elas o seu desgosto por sopa, pela escola e pelos livros infantis que promovem o infanticídio:

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Ler a Mafalda e pensar que suas tiras, publicadas durante a década de sessenta, ainda são tão atuais mexe conosco. Para começar, sua prosa ácida estava anos-luz à frente da maioria dos cartunistas da época. Ouso dizer que estava à frente até mesmo de Schulz, o criador do Charlie Brown. Alias o próprio mestre americano falou sobre a obra de Quino:

“O tipo de idéias que ele trabalha com são um dos mais difíceis, e estou espantado com a sua variedade e profundidade. Além disso, ele sabe como desenhar e desenhar de uma forma engraçada. Eu acho que ele é um gigante.” – Charles M. Schulz

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Mas e sobre o álbum Toda Mafalda? Vamos falar dele, claro! Afinal isto é um review!

O álbum é em preto-e-branco (mas achei que seria mais legal colocar aqui no artigo as tiras coloridas!) e possui generosas 600 páginas! É muita tira e todas elas são maravilhosas! E ao contrário da maioria dos cartunistas, cujos primeiros trabalhos geralmente são capengas, mestre Quino se manteve sempre ótimo durante toda a sua carreira.

Além da Mafalda as tiras nos apresentam outros personagens, a começa os pais: um casalzinho classe-média argentino ignóbel dos anos 60. O pai trampa fora, a mãe é dona-de-casa e ambos apesar de reclamarem muito são completamente passíveis no mundo, sem fazer nada para mudá-lo – como a maioria das pessoas. Temos também os amiguinhos da Mafalda: Filipe, um rapaz fã de faroeste e dos enlatados americanos; Manolito, filho do dono do armazém e que só pensa em dinheiro; Susanita, um protótipo de mulher fútil e Miguelito, um rapazinho esperto e que mais se assemelha à Mafalda. Todos eles compõem um grande elenco de personagens que retratam bem os dilemas das metrópoles.

Infelizmente, apesar ser chamado de ‘Toda Mafalda’, o álbum não reúne todas as tiras da personagem. Para isto existe um novo livro chamado ‘Mafalda Inédita’ que se trata de algumas tiras que nunca foram publicadas e outras que foram feitas posteriormente à 1973 – época em que a personagem saiu de circulação.

E é incrível pensar que, mesmo depois de tantas décadas, a personagem ainda é tão admirada! Assim como os Beatles (cuja Mafalda era fã) suas tiras continuam fazendo o maior sucesso!

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EDITORA: Martins Fontes/ Selo Martins

PREÇO: R$ 127,57

AVALIAÇÃO: Mafalda é sensacional! Ela TEM que estar na sua prateleira!

Written by Jussara Gonzo

29 de setembro de 2014 at 9:36

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Written by Jussara Gonzo

23 de setembro de 2014 at 11:01

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Review: Os Quatro Rios

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A quantidade de quadrinhos ‘fora do mainstream’ que recebemos no Brasil é tão pouca que qualquer coisinha nova já nos anima. Principalmente quando escapa do eixo EUA/Japão, como se estes fossem os únicos países que produzissem quadrinhos.

Os Quatros Rios é uma Graphic Novel francesa, escrita por Fred Vargas, desenhada por Baudoin e publicada pela Martins Fontes/Selo Martins. Conta a história de um trombadinha chamado Grégoire Barbin e seu amigo Vincent. Eles vivem pelas ruas, sempre andando de patins, cometendo pequenos roubos. Tudo ia bem, até que eles roubam a bolsa de um senhor estranho. E cuja bolsa era mais estranha ainda…

Há algo de sinistro em seu conteúdo. Artefatos esquisitos, livros estranhos e… claro… um bom dinheiro. No entanto eles acabam entrando sem querer num esquema sórdido que vai envolver mortes e rituais satânicos.

Sobre o roteiro: Fred Vargas é uma escritora experiente e sua narrativa é boa. Num tom típico para o público juvenil, subindo apenas um pouquinho o nível. De certo modo o roteiro e o modo como a história é conduzida lembra um pouco as tramas de mistério da antiga série de livros ‘Coleção vaga-Lume’, um grande sucesso editorial brasileiro. No entanto o livro está com um pé nos quadrinhos e outro no livro. Às vezes temos várias páginas dinâmicas de ação, outras temos blocos de texto extensos. Leva um tempinho para se acostumar com o fato de você não estar lendo nem exatamente um quadrinho, tão pouco um livro.

Sobre a arte: o pincel de Baudoin é expressivo e forte. Uma arte alternativa bem bacana, embora às vezes ela sofra do mesmo problema que quadrinhos preto-e-branco (sem tons de cinza) sofrem quando seu artista tem uma técnica mais sujona: falta um pouco de leitura, as cenas se confundem e nãos abemos muito bem o que estamos olhando. No entanto esta sensação dura pucos segundos e logo entendemos o quadro.

Sobre o nome da BD: ‘Os Quatro Rios‘ é uma escultura italiana, feita pelo escultor Gian Lorenzo Bernini em 1651. Esta escultura representa os quatro maiores rios do mundo (até então) representando cada continente: o Nilo na África, o Ganges na Ásia, o Danúbio na Europa e o Rio del Plata na América. O porquê ela é tão importante na história eu não vou revelar, porque é um grande spoiler.

Não vou dizer que a hq é a oitava maravilha do mundo. Há muitos outros quadrinhos franceses muito bons esperando para serem lançados e até mesmo mais famosos que este. A Martins Fontes podia aproveitar a ponte e trazer algumas pérolas para cá, como ‘Blake e Mortimer’, mas infelizmente eles preferem ser mais retranqueiros e investir em ‘long sellers’ bem alternativos como Quatro Rios. Uma pena.

Mas vale a espiada.

EDITORA: Martins Fontes/Selo Martins

PREÇO: R$ 34.90

AVALIAÇÃO: Para quem busca algo diferente, é uma boa.

Written by Jussara Gonzo

13 de setembro de 2014 at 14:08

Publicado em REVIEW

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