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Matéria Gonzo: Post Vitae

Se alguém – provavelmente um médico – virasse para mim e dissesse: “Você só tem mais uns cinco anos de vida.” acho que eu ficaria feliz.
Feliz porque, pela primeira vez, eu teria uma coisa EXATA em minha (curta) vida. Um prazo irredutível que não poderá ser procrastinado em hipótese alguma. Enfim poderei me dedicar de corpo e alma à todas as coisas que eu gosto de fazer porque agora sei (mais do que nunca) que não posso mais adiar. A preguiça de fazer qualquer coisa iria para o espaço, cada alegria seria superlativada pela doçura de saber que seu tempo está se esgotando. Pequenas coisas do cotidiano teriam um valor imenso: um chocolate quente cremoso, uma caminhada no parque, um sorriso daquela pessoa que você gosta e ela não sabe que você gosta dela.
A primeira coisa que eu faria seria jogar fora minha Carteira de Trabalho e minha guia do INSS. Para quê? Não preciso mais me preocupar com a aposentadoria. Chega de preocupações imbecis como Fundo de Garantia, poupança ou casa própria. Anistiei-me dos grilhões do futuro incerto – para mim ele já está maravilhosamente acertado.
Não precisaria mais me preocupar com a velhice. Cabelo branco apareceu? Marcas de expressão? Exercícios para evitar colesterol? Que nada! Não preciso mais disso, embora tenho certeza que, diante da data inexorável, acho que meu corpo até encontraria mais ânimo e eu iria desejar me exercitar. Deixar um cadáver atraente.
“Vou morrer, ó depressão!” que maravilha! Agora eu tenho um BOM motivo para me lamentar!
Ah sim, aquela famosa lista de “coisas que eu tenho que fazer antes de morrer”. Virgindade já foi – alias ninguém morre virgem, a própria vida já te fode quase todos os dias, correto? Então vejamos: ir para a Disney? Pular de paraquedas? Comprar um carro do ano (de preferência no plano crediário mais longo)? Visitar a Grécia? Dar um chute em determinadas pessoas? Bobagem! Estas listas nós criamos quando sabemos muito bem que temos, sim, muita vida pela frente (ou assim pensamos). Quando a morte está sentada ao seu lado estes sonhos burgueses e revanchistas tornam-se irrelevantes.
Claro, temos nossos projetos. Escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Bom, já plantei muitos pés-de-feijão no algodão e tenho dois gatos que trato como se fossem minhas próprias crias. Livros? Hah! Tenho aos montes! Uns poucos terminados e muitos a encerrar. Não vai dar tempo de publicar todos, mas creio que agora, mais do que nunca, posso dedicar-me a eles sem a menor culpa de estar “gastando tempo” com coisas que a gente acha que são mais importantes, como procurar um emprego que não tem nada a ver com a sua vocação.
Nada que faríamos seria a toa, ou talvez fosse justamente o contrário. Flanar, agora, teria um significado maior. Sentar e admirar lentamente a vida longa das pessoas apressadas passando. O relógio não importa mais. Ao contrário do que parece, não existe a angústia do “terminar depressa” diante do fim. Você está em paz. Você vai morrer logo. Para quê a pressa?
Agora, com calma, posso ver o verdadeiro motivo da angústia existencial das pessoas: nossas vidas tornaram-se longas demais. Não suportamos seis horas no nosso emprego, como vamos suportar trinta e cinco anos?
Aí esta! A tristeza é pensar que você vai passar o resto da sua (compriiiiiiiiiida) vida trabalhando no que você não gosta. A angústia é saber que depois deste ano haverá, com certeza, outro e você sabe que não mudará nada. O desespero é descobrir que no seu próximo aniversário você vai precisar começar a pintar os cabelos por obrigação. Eis a razão do mal estar geral da contemporaneidade: estamos vivendo demais; e por conseqüência passando mais tempo das nossas (realmente nossas?) vidas fazendo o que a gente não gosta.
Por que lamentamos a morte de pessoas que “jogaram sua vida no lixo”? Por que chorar por Kurt Cobain ou Amy Winehouse? Pobre Álvares de Azevedo que morreu com apenas vinte anos! Que irresponsabilidade de jovens alpinistas que morrem escalando, fazendo o que gostam. Vidas curtas são tão tristes assim? Será que uma vida plena tem que ser vivida até a marca dos sessenta e contando?
Repararam que a maioria dos jogos de vídeo game, hoje em dia, têm personagens com vidas infinitas? Nem a porra dos personagens dos quadrinhos permanecem mortos – basta conferir Batman e Superman, dois exemplos mais famosos.
Todas as religiões prometem alguma coisa ao fazermos a passagem para o lado de lá: Paraíso, Nirvana, Nosso Lar, Reencarnação. Epa! Será que estas crenças também não estão negando a morte?
Em um enterro temos coroas de flores, temos caixão, temos cremação, temos cafezinho e o escambau para prestigiar o morto. Digo: fazemos esta presepada toda por eles ou por nós? Choramos por eles ou por nós, que ainda temos tantos anos de incertezas pela frente? “Como vou viver sem fulano?” Existem pessoas que não se sentem bem em velórios ou enterros ou mesmo em cemitérios. O que elas temem?
A morte é a única certeza que temos. Tentamos esquecer, claro. Morte é palavrão! O que é a supervalorização da adolescência (cada vez mais longa) do que o desejo de não chegar até o final da rua? O que é a luta contra o envelhecimento do que uma negação do final? Justamente por queremos acreditar que somos imortais sofremos tanto. Falta morte na nossa vida.
Todas as nossas preocupações, nossos problemas, até nossos desejos, têm como foco o medo da finitude. Medo idiota, por sinal, pois ter medo de algo significa que tal coisa “pode” acontecer. E a morte VAI acontecer. Então para que ter medo dela?
Ah, sei! Você quer uma vida longa.
Pra quê?
Para ficar mais tempo no facebook? Para ver mais vídeos de gatinhos no YouTube? Para continuar enchendo o rabo do seu patrão de dinheiro? Para continuar reclamando da vida?
Não queremos tanto ter certezas? Não queremos tanto que exista alguma coisa CERTA e CONCRETA na nossa vida? Em meio à tantas dúvidas existenciais, tantas opções de roupas, tantas escolhas de cursos no vestibular, tantos itens no cardápio (ah, vai o Big Mac mesmo!), tantos livros para ler primeiro, tantas incertezas à cerca do futuro… porque negamos nosso único pivô?
Agora eu tenho certeza.
Vou morrer.
Agora estou feliz!
Cronica Gonzo – Procurando o futuro
Escrevi esta crônica no ano de 2008, meu último da faculdade, durante a Feira do Estudante. Era para o PREMIO JOVEM BRASILEIRO. Ganhei em primeiro lugar!
…mas infelizmente não pude comparecer à cerimonia de premiação por causa de um MALDITO carro quebrado. Uma pena, nunca soube que prêmio eu perdi. De qualquer forma, apreciem o conto. Fiquei orgulhosa dele:
Em Busca do Futuro
Certa vez, uma grande empresa reuniu seus melhores funcionários para uma reunião. Durante horas, discutiram sobre qual era o produto mais desejado pela população mundial. Seja lá que tipo de produto fosse esse – tecnológico, alimentício, vestuário – eles o venderiam.
Decidiram fazer uma pesquisa de mercado. Entrevistaram milhões de pessoas em quase todos os países do mundo. Depois de vários dias perguntando às pessoas “o que você mais quer ter na vida?” descobriram o produto mais desejado pela população mundial. Era o Futuro.
“Todo mundo quer ter Futuro!” concluíram animados. Era o objeto de desejo de todos. E este tal de “Futuro”, devidamente pesado, enlatado e embalado, certamente iria vender mais do que qualquer coisa. As pessoas estariam dispostas a pagar o preço que fosse pedido por ele. Pois não existe nada a qual as pessoas invistam mais do que no seu próprio Futuro. “É isso!” concluíram os diretores da empresa. “Vamos vender Futuro!”
Mas havia um problema: onde estava o Futuro?
Reunindo uma delegação de assessores, estes foram enviados para várias partes do mundo em busca do precioso Futuro.
Se fosse extraído da terra, como o ouro e a prata, certamente o Futuro estaria nas minas de extração. Porém, quando os assessores chegaram nas minas, encontraram diversos mineiros cansados, feridos e sem nenhum Futuro.
Se estivesse no fundo do mar, poderia ser pescado como sardinha ou atum. Porém, quando os assessores chegaram nos portos, encontraram diversos pescadores encharcados, cabisbaixos e sem nenhum Futuro.
Se fosse colhido das árvores, como maçãs ou laranjas, os pés-de-Futuro poderiam estar escondidos em alguma floresta. Porém, quando os assessores vasculharam as poucas florestas do mundo encontraram lenhadores irritados, mal-pagos e sem nenhum Futuro.
Se fosse um produto montado, como um automóvel ou um computador, certamente seria encontrado em fábricas. Porém, quando os assessores vasculharam as diversas fábricas do mundo, encontraram muitas máquinas no lugar de pessoas; e as poucas pessoas que ali se encontravam eram trabalhadores prestes a serem demitidos, sem nenhum Futuro.
Quase desistindo de procurar, os assessores pararam em um bar para descansar um pouco.
Em frente ao bar havia uma escola. E desta escola saíram muitas crianças. Todas elas com suas mochilas, seus livros e seus cadernos. Com seus pais esperando na porta para virem buscá-las. Crianças pequenas, entusiasmadas por terem passado seu primeiro dia na escola. Juntas dos pais, irmãos e amigos, elas contavam animadas o quanto gostaram do que viram.
Foi quando um dos assessores teve um estalo: “Aqui!” exclamou. “Aqui tem muito futuro!”
Felizes em ter sua missão cumprida, os assessores voltaram para a empresa e relataram o que viram. Entusiasmado, o diretor ordenou que o tal Futuro fosse imediatamente colhido e preparado para a venda. Porém, um dos assessores disse:
“Impossível, senhor. O Futuro não pode ser vendido… ele só pode ser dado.”
Bom 2012 para todos!
Cronica Gonzo: Outro Dia
Existe um motivo pelo qual a grande maioria das pessoas sempre vai ver Paul McCartney como alguém que fica à sombra do John Lennon (e não é só pelo fato do sobrenome dele vir em segundo lugar nos créditos das músicas dos Beatles): é porque John Lennon é o tipo de artista “Cult” depressivo enquanto McCartney é o “Pop” positivo.
Nascidos na mesma cidade, mas com histórico familiar completamente diferentes, os dois se uniram tal qual o pólo negativo e positivo se unem. John foi abandonado pela mãe, vilipendiado pelo pai e criado por uma tia castradora. Aos 17 anos, quando finalmente ele e a mãe estavam voltando, o jovem futuro astro da música viu sua mãe ser atropelada e morta por um carro. Tragédia!
Paul também perdeu a mãe muito cedo, mas em circunstancias totalmente diferentes: ela morreu de câncer quando ele tinha 16 anos (quase na mesma época da morte da mãe de Lennon), mas ao contrário de John, Paul cresceu numa família amorosa que ofereceu ao jovem o apoio emocional que ele precisava naquele momento difícil. Por isso apesar da tragédia, Paul ainda conseguiu crescer como um jovem positivo sempre disposto a ver o lado bom da vida. Ao contrário de Lennon, que era sempre cínico, mesmo quando falava da felicidade.
“Ostra feliz não faz pérola” e é por isso que muitos consideram que Lennon era melhor que McCartney: porque John fez muitas pérolas saídas da dor. E de fato temos a tendência a amar e nos comprometer mais com obras de artes que expõe as dores de um artista para que possamos nos identificar com ele. Sofrimento é super-valorizado! Nossa curiosidade mórbida adora nos puxar para ver um corpo destroçado na estrada. Afinal de contas qual obra de Picasso será mais lembrada? “Les Demoiselles d’Avignon” ou “Guernica”?
Mesmo assim, Paul obviamente passou por momentos muito difíceis na vida dele – e curiosamente suas melhores obras-solo são justamente após estes períodos: pós o final dos Beatles; pós morte do John Lennon; pós a morte da sua esposa Linda; pós o seu terrível segundo casamento com a golpista Heather… é como se o sofrimento permitisse ao artista ser “genial”! Haja visto os trágicos Charlie Parker, Brian Jones, Kurt Colbain, Amy Winehouse e outros artistas depressivos (não, Emos NÃO entram na lista porque é um “sofrimento infantilizado!”).
No entanto não é preciso grandes tragédias. Gosto de pensar que a origem de todo o sofrimento e toda a depressão atual das pessoas é algo muito mais simples: a rotina.
Nada é mais desesperador do que a desagradável sensação… a desagradável OBRIGAÇÃO de que deveríamos estar fazendo algo MAIS do que simplesmente ir empurrando a vida com a barriga. Um sentimento de culpa que, não importa o quanto você esteja feliz no seu empreguinho furreca, vai te atormentar no seu íntimo. É como um pernilongo sobrevoando uma cabeça coberta pelo lençol. Ele te rodeia, zumbe, não te deixa dormir e te irrita. Mas nunca vai te picar. Porque o lençol é a preguiça e esta cabeça enorme e inquieta é você. E você não quer levantar da cama por nada neste mundo!
De maneira similar, temos duas músicas de Chico Buarque: “Construção” e “Cotidiano” que falam desse passar do tempo e nós, nada! Todo dia a gente faz tudo sempre igual… sorri aquele sorriso pontual… e atravessamos a rua no nosso passo tímido… colocando tijolo com tijolo num desenho lógico… é desesperador!
E o pior de tudo: não é um simples “reclamar da vida”. Aquele famoso senso-comum que tem se alastrado feito praga do “pensamento positivo” e coisa e tal. Ora bolas! A rotina está MUITO acima (e muito abaixo) disso! Talvez se realmente acontecesse algo pior em nossas vidas (a famosa desculpa de todos os que querem te obrigar a ser 100% positivos, de que “tem gente passando por situação pior”) seria melhor do que a rotina que não se altera.
ESTE é o problema: a previsibilidade e a permanencia. O “sofre um pouquinho” é pior do que o “sofrer demais” porque o primeiro parece não ter motivo ou razão. A rotina é o sofrimento desautorizado… NÃO devíamos sofrer com ela, mas sofremos mesmo assim. Pelo menos quando paramos para prestar atenção. Algo que, inclusive, John Lennon já havia dito e eu mesma já havia postado antes “Life is what happens to you while you are busy make another plans”.
E já que começamos falando em Paul McCartney, abaixo você confere uma música (e a letra) de uma das falsas “canções engraçadinhas” do Paul, que parece ser uma balada bem alegrinha por fora, mas que esconde uma grande carga de depressão (composta, inclusive, pouco depois que os Beatles acabaram) refletida no cotidiano: Another Day.
Every day she takes a morning bath she wets her hair
Wraps a towel around her as she’s heading for the bedroom chair
It’s just another day
Slipping into stockings, stepping into shoes
Dipping in the pocket of her raincoat
It’s just another day
At the office where the papers grow she takes a break
Drinks another coffe and she finds it hard to stay awake
It’s just another day
Du du du du du du, it’s just another day
Du du du du du du, it’s just another day
So sad, so sad
Sometimes she feels so sad
Alone in her apartment she’d dwell
Till the man of her dreams come to break the spell
Ah, stay, don’t stand her up
And he comes and he stays but he leaves the next day
So sad
Sometimes she feels so sad
As she posts another letter to the sound of five
People gather ’round her and she finds it hard to stay alive
It’s just another day
Du du du du du du, it’s just another day
Du du du du du du, it’s just another day
So sad, so sad
Sometimes she feels so sad
Alone in her apartment she’d dwell
Till the man of her dreams come to break the spell
Ah, stay, don’t stand her up
And he comes and he stays but he leaves the next day
So sad
Sometimes she feels so sad
Every day she takes a morning bath she wets her hair
Wraps a towel around her as she’s heading for the bedroom chair
It’s just another day
Slipping into stockings, stepping into shoes
Dipping in the pocket of her raincoat
It’s just another day
Du du du du du du, it’s just another day
Du du du du du du, it’s just another day
Cronica Gonzo – Vai fazer o que da vida?

Estamos no final de mais um ano e tenho certeza que muita gente neste exato minuto está se preparando para o vestibular. Talvez até já tenham passado e agora aguardam o primeiro dia de aula no ano que vem. Esta Crônica Gonzo é especialmente para vocês. E se não for o seu caso, por favor: repasse-a para alguém nestas condições.
Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro (além daquele famosão de sempre usar filtro solar) eu diria: não vá para a faculdade antes dos 30 anos.
Infelizmente hoje parece completamente lógico que um pré-adolescente (sim, PRÉ adolescente) de 17 anos, assim que sai do colégio, já deve saber o que ele quer fazer para o resto da vida. A não ser em casos raríssimos, de jovens com até menos idade que já sabem muito bem qual a sua vocação, nesta idade a grande maioria não tem noção nem de quem eles mesmo são… e talvez demorem até os 50 anos para descobrirem. Pode apostar: testes vocacionais não ajudam em porra nenhuma porque eles só vão apresentar as suas áreas de interesse em TEORIA. Sem falar que a sensibilidade de muitas pessoas muda muito com o passar da vida – e isso é algo bom!
E não é apenas uma questão de vivência (de fato para você saber o que quer fazer da sua vida você precisa viver ANTES e não o contrário!) a culpa da nossa total confusão sobre o que queremos fazer em termos profissionais assim que terminamos o colégio é culpa do próprio sistema de ensino. Não, não! Não estou me referindo àquele mote de “escolas brasileiras são um lixo” e coisa e tal. Acreditem: em termos de “qualidade de ensino” estamos melhorando pouco a pouco, mesmo nas escolas públicas. Mas isso não adianta nada. No fundo não tem muita diferença entre a escola da favela e a escola hyper cara frequentada por filhos de donos de multinacionais. O problema está no MODO como somos ensinados.
Michel Foulcault, filósofo fodão, CANSOU de falar para todo mundo quais são os problemas do sistema de ensino, que é mais um “adestrador” de mentes do que um “ensinador”. Rubem Alves, grande educador, sempre que pode nos fala sobre a merda que é o modo como somos castrados desde criancinhas, aprendendo coisas que não nos interessa apenas para sermos iguais a todo mundo. Não dizem que é preciso se destacar, porra?! Nas escolas se você é muito bom numa matéria… beleza! Você tira “A”, você tira “10”. Se você quer ir além, você não pode porque todos aqueles cuzões dos professores precisam te nivelar (quinta série, sexta série…) diante do restante da macacada. E naquelas matérias que você é ruim você PRECISA investir naquilo porque você precisa ser NIVELADO! E se não conseguir… ainda é chamado de burro!
Nunca me esqueço de um dia que o pessoal da minha escola foi visitar uma petroquímica e havia uma guia que tinha feito faculdade de comunicação ou coisa assim. Parece que o químico que ia nos dar uma palestra faltou por algum motivo e a moça, que tinha assistido a todas as palestras, teve que falar de improviso para nós e explicar as coisas. No meio da conversa ela deu uma gafe e disse alguma coisa sobre “petróleo ser um metal” ou coisa parecida… sei lá… e isso virou a desculpa da nossa professora de química dizer “Tão vendo? Vocês não gostam de química e dizem que nunca vão usar isso para nada, mas um dia vocês podem precisar deste conhecimento!”. CA-RA-LHO!!! Para começar a culpa não foi da moça que era só uma guia e não tinha OBRIGAÇÃO NENHUMA de saber nada sobre química! E pensando bem… foi culpa dela sim porque a bundona deveria ter se recusado a dar uma palestra para o qual ela não é gabaritada. Todos temos que saber nossos limites!
Temos que ter conhecimento genérico (e superficial) sobre tudo só porque “um dia podemos precisar”?! Temos sempre que nos nivelar por baixo, investindo no que somos RUINS ao invés de investir no que somos bons?! Infelizmente é isso que a escola normal nos ensina, seja aquelas escolas de baixo nível, seja as de alto nível.
E depois que todo este conhecimento genérico e superficial nos é enfiado pela goela, temos que, baseado nele, decidir a nossa profissão! Somos obrigados a entrar na faculdade cedo demais porque dizem que “não podemos perder tempo”. PORRA!!! Quantos de nós fizeram uma faculdade que nem queriam, só para cumprir tabela, e hoje se arrependem do tempo que gastaram numa carreira que não gostavam? Isso que é “ganhar tempo”? Por que tudo tem que ser tão rápido?! Sexo só tem que ter dez minutos então! Ou talvez seja melhor nem perder tempo com sexo, afinal a não ser que você seja um mixê ou uma puta não vai lucrar nada com isso! Se temos que fazer as coisas em pouco tempo então que tal viver só até os 27 anos, heim? Uma economia de vida e a solução para não termos mais problemas com a previdência.
Esquecemos duas das coisas mais primordiais em termos de educação que é: você só quer saber de alguma coisa quando VOCÊ quer descobri-la! E o ensino é gravado mais forte na sua mente quando você faz um ESFORÇO para conseguir esta informação! Na escola nos tiram estas duas coisas mais básicas para se aprender, caralho! O professor de Matemática, o professor de História, o professor de Religião, o professor de Física te obrigam a aprender sobre coisas que você não quer saber. E o pior é que você nem precisa fazer esforço para descobrir as coisas, está tudo mastigadinho e prontinho numa apostila TUDO o que você “precisa” saber!
Eu lembro que quando eu estudava História (alias talvez eu faça esta faculdade futuramente) eu perguntava para o meu professor: “Ok, em 1.500 D.C. descobriram o Brasil, mas não estava acontecendo mais nada de interessante nesta época em nenhum lugar do mundo?” Claro que estava! Nas apostilas escolares falta falar da China, falta falar da Índia… países que só aparecem na linha temporal DEPOIS que foram conquistados pelos ocidentais durante as Guerras do Ópio e com o advento de Gandhi. A porra da Guerra do Paraguai nos é mal e porcamente explicada… e olha que foi o MAIOR conflito armado que o Brasil já participou, mais ainda que a Segunda Guerra Mundial, porque foi no nosso território! Uma covardia sem tamanho, onde matamos quase TODA a população masculina de um país onde praticamente não havia mais analfabetos. Um país incrivelmente moderno para a época e nós, brasileiros, acabamos com eles manipulados por um bando de imperialistas que não tinham interesse em ver nenhum país Sul-Americano crescer em termos de ciência e tecnologia.
O sistema de ensino atual em grande parte do mundo é uma merda porque ele foi criado na época em que as escolas se tornaram obrigatórias, lá nos idos da Revolução Francesa. Foi quando a burguesia (perdão pelo termo desgastado pelo Cazuza) tomou o poder. E por que os burgueses tinham tanto interesse que a galera soubesse ler e escrever e soubesse um basicão sobre tudo? Para se tornarem mão-de-obra, claro! Algum dia você se perguntou POR QUE você estuda? POR QUE você tem que ter uma faculdade? Antes, na época da minha mãe, as crianças ganhavam Diploma de Primário, porque era o ensino básico único que você precisava, o resto era enfeite. Depois era Diploma de Ginásio. Depois ambos desapareceram e foi criada a nona série e o Diploma de Ensino Fundamental. Depois Diploma de Colégio… Diploma de Faculdade… Diploma de Mestrado… não lembro quem disse esta frase maravilhosa: “Estamos ficando coletivamente mais inteligentes e individualmente mais burros.” E isto é a SINTESE do que está acontecendo! Você NÃO PODE obrigar a todos os seres humanos a serem doutores porque, senão, QUAL a vantagem em ser um doutor no futuro?! E por um acaso já se perguntaram se alguém QUER ser um doutor?!
A única matéria que poderia vale a pena todos aprenderem e que, infelizmente o sistema de ensino FINGE que existe é Filosofia. Atualmente temos “Filosofia” na grade escolar dos colégios, mas pode acreditar: não temos! Pois o que aprendemos é a História da Filosofia e contada do jeito mais chato possível. Quer dizer, é o plano perfeito para que as próximas gerações não pensem, pois estão ensinando a detestar o ato de pensar! Filosofia não tem NADA a ver com saber a biografia de Sócrates ou Aristóteles… isso é nota de rodapé! Filosofia é absolutamente tudo o que NÃO temos, infelizmente, nas escolas! Filosofar é a síntese daqueles dois atos mesclados que já falei: o DESEJO de saber e o ESFORÇO para descobrir, e nas escolas não nos ensinam porra nenhuma disso!

Antiga Ágora, na Grécia. A primeira escola de filosofia do mundo.
Para piorar, o nosso sistema politicamente correto também atinge nossas emoções além do intelecto. Nossos pais, estes filhos-da-puta fodidos bem-intencionados, querem o “melhor” para nós, mas só podem julgar o que é melhor baseado no que poderia ser melhor para eles. SE eles tivessem tido a oportunidade de fazer uma faculdade com a nossa idade; SE eles tivessem tido acesso aos computadores como temos hoje; SE eles tivessem desde cedo aprendido inglês… não dá para saber se a vida deles seria tão melhor se naquela época eles tivessem tido estas oportunidades e muito menos se eles iam GOSTAR de ter estas oportunidades! Acredite: oportunidades demais às vezes são um problema, porque você fica paralisado sem saber qual pegar.
“Você precisa se atualizar!” está é uma frase que eu até concordo e que todo mundo diz, só que há um problema nela: se atualizar em QUÊ?! Preciso me atualizar sobre todas as ultimas descobertas da neurociência quando sou um contador? Olha, quem sabe até precise se por um acaso eu tiver um cliente desta área, mas ainda assim precisa haver este impulso… esta vontade de eu sair atrás da informação. Não vai ser legal se me enfiarem o conhecimento goela abaixo. A mente humana não é um HD, por mais que os materialistas queiram nos convencer disso. E o Google facilitou e muito a nossa vida, mas até quando esta facilidade não pode ser também prejudicial? É como o famoso conto da borboleta tentando sair do casulo: um homem a viu e, para facilitar a vida dela, cortou o casulo com uma faca e, por isso, a pobre borboleta não fortaleceu as asas o suficiente (pois esta é a função primordial do casulo, forçar as asas a se moverem) e por isso jamais conseguiria voar.
Somos todos borboletinhas super-protegidas pelos nossos pais que, por mais que queiram que a gente arranje um emprego, estão dispostos a cuidar de nós e nos sustentar até nossos 40 anos. É como se os 40 virassem os novos 18, com a desvantagem de estarmos todos velhos, feios e com marcas de expressão. Hoje em dia se fala muito para combater o Bullyng, mas eu, que sofri MUITO bullyng no ginásio, defendo que em tons moderados ele até ajuda a te fazer mais forte, pois vai te preparando para pancadas maiores que você pode vir a receber na vida. Pois não adianta nada você ser um P.H.D. de Harvard se nunca enfrentou oposição de nenhuma espécie da vida (foi fatalmente mimado) e subitamente, quando precisa defender suas ideias diante de uma platéia hostil, eles começam a te depreciar e você perde a coragem porque nunca teve que lidar com situações parecidas. NÃO ESTOU de maneira alguma defendendo bullyng!!! Mas nos proteger demais nos torna dependentes e fracos.
Eu não me arrependo (muito) de ter feito jornalismo. Serviu para alguma coisa (como montar este blog) e tenho certeza que servirá para mais coisas no futuro. Mas se quer a minha opinião, jornalismo não devia ser uma faculdade: devia ser uma pós-graduação ou algo que valha. Pois, perdoem-me os defensores do diploma de jornalismo, mas na faculdade não aprendemos MERDA nenhuma do que é “jornalizar”!
Aprendemos a escrever matérias em pirâmide invertida, aprendemos o que é “barriga”, o que é “nariz”, o que é “bigode”… mas como colocar conteúdo numa matéria isso é algo que escola nenhuma vai te ensinar; talvez, quem sabe, a Escola da Vida (outro termo desgastado, mas apropriado para a ocasião). Tudo o que aprendemos nesta faculdade é a puxar saco de editor-chefe e pegar pautas escritas pelos leitores. Depois escrevemos 20 notas por dia e uma matéria grande por semana, numa redação onde o revisor chama-se “corretor ortográfico”. Tudo muito frio, muito mecânico, muito superficial… infelizmente dá para entender por que o diploma de jornalismo hoje em dia vale tão pouco!
Por isso, amiguinhos, antes de escolherem a sua faculdade… vão viver um pouco! Façam muitas besteiras na vida, muitas! É uma tremenda bobagem esse lance de “sempre faça as escolhas certas…”. Escolhas certas o CARALHO!!! Ninguém pode dizer se uma escolha é certa ou não até você realizá-la! E pode apostar que toda escolha, por pior que seja, terá sempre um lado positivo. Paul Arden, grande publicitário britânico, escreveu um livro inteiro explicando as vantagens das escolhas erradas: elas são boas! Ás vezes são até melhores que as “escolhas certas”!
A preocupação central da sociedade não é com você… mas sobre as coisas que você pode fazer em prol desta sociedade e, principalmente, as que você pode fazer contra – que elas vão tentar a todo custo evitar que você faça! No fundo quando alguém te pergunta quando criança “o que você vai ser quando crescer” ela está pouco se fudendo com VOCÊ, quer apenas saber qual será a sua futura função nas engrenagens como uma peça azeitada. E se você puder virar um empecilho no maquinário, aí sim vão se preocupar com VOCÊ!
Não tenha medo de começar as coisas “tarde”. Eu entendo este sentimento de angústia. Tenho 26 anos e fico às vezes remoendo o fato de que muita gente de 26 já tem seu empregão e seu carro. Mas, porra… cada um tem seu tempo! E pessoas que se deram bem aos 26 não necessariamente vão se dar bem para o resto da vida, sabe? Sem falar que, com o crescimento da média de vida humana, passar 70 anos da nossa longa existência fazendo uma coisa só (porque hoje em dia aposentadoria é sinônimo de MORTE) pode ser chato pra caralho, sabe? Meu pai começou a estudar medicina aos 50 anos e hoje, com 92, ainda trabalha com isso! Gilbert Garcin, fotógrafo famoso, começou a tirar fotos com 65. Conheço dúzias de mulheres que, só depois dos filhos crescidos, começaram a trabalhar e a investir nas suas carreiras.
Infelizmente a novela “Viver a Vida” caricaturou, cheio de piegas, às raias da demência o lance do “nunca diga nunca”, mas é tipo isso mesmo! Pare de se preocupar com a faculdade. Tem coisas muito mais legais para se fazer da vida e locais muito melhores para se aprender. se quiser fazer uma faculdade, faça quando tiver certeza… e tenha a certeza de que no fundo o diploma é apenas um pedaço de papel pendurado na parede.
“Life is what happens to you while you are busy make another plans” John Lennon.
Algo não está certo

Materia Gonzo: Ensaio sobre o Nada

Vou lhes contar um segredo: livro é uma coisa fácil, MUITO fácil de escrever. Muito fácil mesmo! Não apenas livros, mas músicas, desenhos, filmes… toda obra artística é muito fácil de se fazer! É só começar…
…mas este é o ponto! A verdadeira dificuldade é terminar. A verdadeira complicação é dar um acabamento – e um acabamento digno – a estas obras. É aí que realmente se separam os artistas dos ordinários.
É comum um artista de qualquer espécie ter seu período de não-produtividade. Muita gente pode pensar que é por falta de idéias. Não é bem isso. De fato é bem difícil ficar sem elas, pois idéias pipocam aos montes na nossa cara graças à Internet. Se o seu escritor favorito não publica nada faz tempo, pode ter certeza que não é por falta de idéias para tramas diversas e personagens interessantes. Essas coisas vêm aos montes para nós, artistas em geral: seja músico, pintor, escultor, escritor, entre outros. E cada idéia pode gerar uma obra diferente. Ou pelo menos o início dela.
Peguem a autora do Harry Potter, a senhora Rowling. No total foram 7 livros publicados para a série. Bem, mas se você acha que estes foram os únicos livros que ela escreveu neste meio tempo você está redondamente enganado. Para cada livro publicado por um escritor, jogue um zero à direita e você terá o número aproximado de livros que este mesmo autor já tenha começado, mas está longe de acabar – isso chutando baixo!
No caso de Rowling, se ela publicou 7 livros da série então provavelmente ela ainda deve ter outros 70 engavetados até hoje aguardando o possível lançamento. Dan Brown, com aquela sua mente fervilhante de idéias estranhas e teorias conspiratórias, publicou 5 livros; e possivelmente em seu cofre secreto, trancado com uma fechadura semelhante a um Criptex, deve haver o rascunho de pelo menos outros 50. Pegue um monstro da produtividade editorial, como Agatha Christie, e saiba que além dos 80(!) livros que ela publicou ao longo de sua vida, provavelmente havia outras 800 idéias para tramas que ela não teve tempo de desengavetar. O famoso “bloqueio de escritor” não tem nada a ver com a dificuldade em começar um livro, mas sim de desenvolve-lo e terminá-lo!
O mesmo acontece com outros artistas: embora ilustradores possam ser muito ágeis para terminarem desenhos sob encomenda (afinal seus salários dependem disso), seus projetos pessoais geralmente caminham a passos de formiga – isso se eles ainda têm um. A maioria acusa a falta de tempo (ah! O Tempo! Um recurso inesgotável da natureza, mas que não pode ser reciclado…) como o inimigo para concluir projetos, mas a verdade é que o grande inimigo é a dificuldade em dar prosseguimento e, por fim, terminar os vários projetos acumulados.
Nós, artistas, somos criaturas muito dispersas por natureza, e às vezes fazer aquilo que nos é mais caro, ironicamente, é o MAIS difícil. Focar-nos em coisas o qual não somos “obrigados” a fazer é a coisa mais complicada do mundo, porque sempre pensamos que podemos deixar para depois – e deixamos mesmo! Rowling reclamou dos seus editores pela pressão que eles faziam para que ela terminasse os últimos livros da sua série logo, mas se não fossem por eles e ela só escrevesse “por prazer” aposto que só teríamos 5 livros publicados de Harry Potter até hoje.
Agora, porque eu comecei esta matéria com todo este imbróglio? Simples: porque o mesmo acontece comigo ao escrever as Matérias Gonzo.
Bem-Vindos ao vestíbulo da minha mente.
Writer’s Block
A maioria de nós se esquece, mas jornalistas TAMBÉM são escritores. Não são exatamente os mais originais, justiça seja feita, mas vivemos de escrever de qualquer forma – pelo menos os profissionais dos meios impressos.
Escrever uma matéria jornalística costuma ser muito difícil, mesmo que seja uma simples notinha. Começamos muito bem fazendo aquelas famosas perguntas “como”, “quando”, “onde”, “quem , “por quê”, etc. No entanto, na hora da conclusão, perdemos um pouco mais de tempo. Se isso acontece com matérias pequenas, imaginas as grandes e especiais! É uma tortura! Começamos a escrever e a destilar tudo, mas chega num ponto em que simplesmente as idéias começam a se atravancar umas sobre as outras, como várias bolinhas de gude tentando atravessar a boca de um gargalo de garrafa. NÃO É a falta de idéias que interrompe o processo, mas a dificuldade de saber usá-las e organizá-las no texto. Amiúde temos que parar… respirar… e ignorar os berros do editor, avisando que o fechamento se aproxima.
Desenhistas também sofrem com isso. Quando vocês olham aquela ilustração super bonita na capa do livro, pode apostar que, para chegar nela, o desenhista teve que fazer milhares de esboços e rascunhos antes. Organizando o traço, a composição, as cores e tudo o mais. O “bloqueio” geralmente começa na hora de escolher, no meio de tantas idéias diferentes, qual a combinação certa – no caso, para quem faz ilustrações por encomenda, fica mais simples porque geralmente não é o próprio artista que escolherá estas coisas, mas o cliente (e quase sempre ele vai escolher a pior combinação possível!). No entanto, quando queremos fazer alguma arte por prazer, aí emperramos! E quase sempre publicamos ela meio incompleta em nossas galerias virtuais, como Flickr, DeviantArt e outras, só para nos “livrarmos dela”.
Sim! A verdadeira apoteose de qualquer artista é, enfim, “livrar-se” da sua obra! Pois não importa quanto tempo ficamos polindo, lambendo, ajeitando, arrumando, modificando… NUNCA fica do jeito que a gente quer! Então a solução é mandar logo a porcaria da sua pseudo Magnum-Opus para o editor/cliente/fãs com um belo “foda-se, vai assim mesmo” estampado.
Se você quer ser, ou já é, um escritor e tem um projeto de livro engavetado (oh, como sou inocente… UM projeto? Você deve ter vários, fala aí!) diga-me: há quanto tempo ele está aí sem ser concluído? E quantas versões diferentes dele você já fez? Ou, se conseguiu terminar e ainda não conseguiu publicar, quantas “arestas” você já cansou de limpar no texto que fez com que ele ficasse quase irreconhecível àquela primeira versão que você mandou para registro na Biblioteca Nacional?
Ah! Como nós, artistas, gostaríamos de ser tão produtivos o quanto queríamos! Mas acreditem, irmãos, nós SOMOS muito produtivos! É que não parece porque nós, simplesmente, largamos muita coisa no meio e não terminamos!
Por isso que às vezes alguém com o “chicotinho” na mão nos ajuda. Nós, artistas, queremos ser independentes… livres! Fazer o que quisermos na hora que quisermos. Problema é que não existe nada mais contraproducente para um artista do que ele mesmo! A liberdade sem disciplina não vale nada – e realmente precisamos de pessoas para nos disciplinarem, por mais que a gente reclame do famigerado depois!
Veja um exemplo: Nos anos 60, os Beatles lançaram 13 álbuns de estúdio entre 1963 e 1970 – quase dois por ano! – fora os singles extras. Um dos motivos deles terem sido tão produtivos, além é claro do talento incomparável deles, foi a pressão que o empresário deles e os próprios fãs faziam, implorando material novo a cada mês. Uma loucura! Eles trabalhavam praticamente como japoneses fazendo hora-extra, quase sem folgas ou férias. Mas… veja aí o resultado: uma marca que NENHUM artista hoje em dia seria capaz de quebrar! Diga-me quantas bandas de hoje conseguem, sequer, lançar um álbum a cada um ou dois anos?
Falta de ideias? Não se iluda! Artista nenhum tem isso se souber realmente cavoucar bem no fundo do baú! O difícil, para nós, é pegar a tal idéia e transformar em produto – e TERMINAR a bosta do produto! Esse é que é o verdadeiro “insight”!
Mas, voltando à vaca fria aqui do blog: o meu problema atual é justamente esse, muitas ideias, mas pouco “insight” para transformá-las em produtos. E embora este caso atinja também as tirinhas (tenho muitas delas pela metade aqui no meu HD) falo especificamente das Matérias Gonzo. Uma parte pequena, mas importante neste sítio.
Matérias sobre “O Nada”
Segundo o último (e único) Fala-Povo que eu fiz no blog, Matérias Gonzo são justamente a menina-dos-olhos de muitos que acessam este blog. Tenho muitas, mas MUITAS idéias para estes textos, todas iniciadas, alias! Mas é difícil desenvolve-las até o final porque poucas conseguem se sustentar sozinhas em seus assuntos bobos. Pois falta-me aquilo que toda matéria jornalística precisa para ser interessante: uma boa pauta.
E como as minhas Matérias Gonzo falam mais das minhas desaventuras do que de assuntos de interesse público, devo dizer que a minha vida não está lá muito agitada para ficar escrevendo coisas interessantes o tempo todo. E eu não sou o Jerry Seinfeld para conseguir achar gracinhas em TODAS as situações cotidianas do dia. Por isso as últimas matérias que eu escrevi eram beeeeem tediosas.
Sim, tentei caçar assunto! Fui no MASP ver uma exposição, mas confesso que as atuais não são tão espetaculares a ponto de render um texto. Visitei lançamentos de livros, que também não foram tão legais assim. Tomei breja com os amigos, mas os assuntos foram os mesmos de sempre. O empreguinho bunda que arrumei no final do ano passado (e já larguei) também é o tipo de coisa que nem vale a pena ser comentada. Cheguei na frente dos cinemas e… francamente… não vi nada de bom que valesse gastar quase vinte paus. Caramba! Qual o problema? É o mundo que está tão sem-graça ou sou eu…? Nem responderei! Pois do contrário vamos atravessar o vestíbulo e colocar os pés sujos no carpete da sala-de-estar da minha mente, o que não pretendo deixar acontecer – pelo menos não hoje.
Nada de bacana acontece para eu realmente transformar em Matéria Gonzo. Para terem uma idéia, a coisa mais excitante que aconteceu esta semana para mim foi um holocausto de formigas na pia da minha cozinha. Eu avisei as folgadas: “Não é só porque eu não lavo louça há três dias que vocês têm o direito de colher as migalhas de sobras. Ainda mais de graça!” Alias, em casa de gente que mora sozinha a gente só percebe que tá na hora de lavar a louça quando abre o armário e não encontra mais nenhum prato ou copo limpo para usar…
Bom, mas a questão é que eu estava começando a ficar incomodada. Fazia tempo que eu não escrevia nenhuma Matéria Gonzo e eu realmente QUERIA escrever sobre qualquer merda! Qualquer coisa! Era como se um Brian Epstein dentro do meu subconsciente gritasse: “Vamos, vamos! Você tem que bolar uma obra-prima hoje! Daquelas que ainda serão lembradas mesmo depois de 50 anos após seu lançamento original! Vaaaaamos! Você tem mais uma hora!”
Corri até a minha pasta, onde eu tinha quase doze Matérias Gonzo iniciadas sobre assuntos irrisórios diversos. Li, reli, espremi o meu cérebro e então…
Saiu!
Saiu esta pequena matéria que vos estou apresentando neste instante: uma Matéria Gonzo sobre o NADA! A sensação foi como se livrar de uma constipação!
Claro, foi um recurso meio trapaceiro. O velho mote do “roteirista que não consegue bolar uma história e então ele decide escrever uma história sobre um roteirista que não consegue escrever uma história…” acho que já lemos algo assim na Turma da Monica no mínimo um par de vezes, não?
Bom, apesar disso, posso dizer que sinto como se tivesse “batido o ponto” hoje. Finito! Obrigação moral cumprida! E agora, antes que eu comece a grilar demais sobre maneiras mais “interessantes” de encerrar esta matéria e isso me obrigue a ficar polindo o texto além do necessário, devo prometer que a próxima Matéria Gonzo será mais divertida e instigante – ou assim espero!
Agora preciso ir. Os cadáveres das formigas ainda estão na redinha da pia para serem recolhidos.
P.S: E que ironia! Hoje é o Dia do Jornalista!
Jornalistas também são sexy

Estava pensando sobre uma coisa que meu professor de Radio-Jornal disse certa vez, ainda no meu segundo ano de faculdade: “Jornalista só se casa com jornalista”.
Temos o Casal-Jornal-Nacional para melhor ilustrar isso, embora a esmagadora maioria dos pares de jornalistas (que, não duvido nada, devem ter apelidos como “Fátima” e “Bonner” na sua roda de amigos de trabalho) não tenha o mesmo glamour – nem a mesma conta bancária. Claro, deve ser difícil manter aquele ar robótico diante das câmeras logo depois de um quabra-pau familiar ou uma noite desastrosa, mas imagino que o que mais une aqueles dois seja a profissão em si – e isso deve valer para a grande maioria dos outros casais de jornalistas. Mais do que o amor, o que os unde deve ser o coleguismo e, muito provavelmente, a falta de opções.
É bastante lógico: as vissitudes da rotina de um profissional da mídia é algo que só outros comunicadores poderiam entender. Sem falar no modus operandi de uma pessoa que vive de informar e receber informação o tempo todo - e isso nem mesmo pessoas que trabalham em áreas semelhantes, como publicidade, conseguem assimilar. Jornalista só se casa com jornalista simplesmente porque só outro jornalista poderia compreende-lo(a).
O esposo não consegue entender porque sua mulher prefere fotografar acidentes na estrada ao invés dos próprios filhos nas férias. A esposa não consegue engolir que o marido REALMENTE precisou ficar até tarde na redação por causa da merda que deu no fechamento. O namorado fica frustrado ao perceber que seu par prefere mil vezes mais assistir ao filme (do qual irá fazer uma resenha depois) do que corresponder aos avanços amorosos. A namorada não aceita que seu garoto tenha que trabalhar em quase todos os fins de semana. O amante se apavora toda a vez que o seu caso faz insinuações maldosas na rádio depois da última brochada. A amante fica fula da vida ao perceber que seu encontro foi furado por causa do Plantão da Globo.
Eu não sei se meus colegas jornalistas concordam com isso, nem sei como anda a vida amorosa deles. Só sei que, dos que eu conheço, alguns estão de fato casados com outros jornalistas e uma boa parcela estão solteiros; ou naqueles famosos relacionamentos enrolados, espremidos entre as poucas horas de folga entre uma matéria e outra (quando não tem evento da prefeitura para cobrir, é claro!) e que nem dá para chamar de oficiais devido a pouca frequência de vezes que os pares se vêem. Claro, falo dos jornalistas com EMPREGO, pois os largados não têm tanta dificuldade em namorar uma arquiteta ou um torneiro mecânico.
Diga à todo mundo: ”Jornalistas também são sexy”. Somos esquisitos, é verdade, mas talvez este seja nosso principal sex-appeal. Além disso nós também temos muitas vantagens: vivemos de permutas de imprensa, acesso restrito para mídia e convites grátis para cinema e espetáculos. Somos corajosos à ponto de ignoramos vêementemente os “nada a declarar” e os “eu vou processá-lo!” ditos por personalidades irritadas. Temos acesso à câmeras espiãs que podem ser usadas pra flagrantes de corrupção ou para filmar as férias da família. Nós ganhamos press-kits maneiros. Nós temos crachás. Nós ignoramos a Lei Anti-Fumo e, muitas vezes, a proibição de entorpecentes dentro dos banheiros de redação.
Nós, jornalistas, somos fodas!
Para ilustrar o que eu digo eu fiz um desenho realístico do Editor, um dos personagens mais icônicos desta tirinha. Talvez muitos pensem que ele não é uma boa opção, pois o personagem não é o que se chamaria de gato, mas a verdadeira beleza de um jornalista está muito mais no seu exotismo do que na sua estampa aparentemente fugral.
Além do mais, namorar Estagiário ninguém merece!
Coluna #prontofalei – Manifesto Gonzo

Você não é tão bom quanto os seus livros de auto-ajuda dizem.
Você não é tão foda quanto os puxa-sacos do seu flickr/blog afirmam.
Você não faz nada tão extraordinário que duas dúzias não fariam até melhor.
Você não vai dar andamento àquele projeto pessoal que você vive prometendo agitar.
Você não vai ganhar muito mais que o seu piso salarial.
Você não vai exprimir a sua verdadeira opinião.
Você não tem idéias tão geniais assim.
Você sempre vai ter medo de virar a mesa.
Você sempre vai ter uma justificativa para sua preguiça.
Você sempre manterá o vinho guardado para o inalcançável “dia especial”.
Você sempre concordará com os outros.
Você sempre vai desejar ser outra pessoa.
Você sempre espera mais um pouco.
Você sempre vai culpar o mundo.
Você sabe que não pode mentir para si mesmo.
Você sabe que vai preferir agradar os outros.
Você sabe que vai se distrair com qualquer coisa.
Você sabe que vai fazer aquilo de novo.
Você sabe que vai desistir.
Você sabe que vai se culpar.
Você sabe que é um bunda-mole.
Mas a questão é…
… você quer CONTINUAR assim?
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Auto-ajuda é bom de vez em quando, mas atualmente o mundo tem usado essa onda de “positividade” mais como anestésico do que como remédio. Às vezes nada como uma boa e velha provocação para fazer os egos inflados dos “coitadinhos” se agitarem um pouco mais. Pois convenhamos: se eles não estão satisfeitos consigo próprios, porque PERMANECEM os mesmos?
No fundo é o mote clichê do “Para contruir algo Novo é preciso destruir o Velho”. Mas parece que as pessoas que querem uma casa nova estão se contentando em fazer puxadinhos em cima da construção antiga – para depois ter que desmanchá-los quando a “prefeitura” reclama…
Este foi o primeiro esboço de um “Manifesto Gonzo” que estou escrevendo para todos que querem deixar de ser bunda-moles (inclusive eu mesma!), limitando-se à paliativos na vida, com medo das soluções que irão realmente mudar tudo – com medo de tentar fazer algo inesperado.
Se tiver alguma idéia ou colocação sobre o texto, please, tell me.
Tema para uma Crônica

Editorial: My Birthday
“Aos 20 anos, nos preocupamos com o que os outros pensam sobre nós. Aos 40, já não ligamos mais. E, aos 60, descobrimos que na verdade ninguém estava mesmo prestando atenção.”
- James Richarson
Estilo Caricato