Arquivo da categoria ‘REPORTAGEM’
MangueBeat – Especial

O Jornalirismo fez uma edição especial para falar do MangueBeat, comemorando seus 20 anos de existência. Confira no site!
Manifestação

London Calling

Jornalista não presta! O pau comendo solto em Londres (sede das olimpiadas 2012 – ano em que o mundo vai acabar. Coincidência?) com os protestos da galera, fora em outras cidades como Birmingham, Bristol e… pasmem! … Liverpool! e eu só pensando nos “colegas sortudos” que estão lá cobrindo a batalha.
Mas jornalista é assim… urubu em cima da carniça! Nada deixa um profissional da imprensa mais deprimido do que calmaria e marasmo. Queremos ação! Queremos correia! Todo jornalista, no fundo, é um Punk! Como diria o mítico fotógrafo Robert Capa “Se suas fotos não estão boas é porque você não está perto o suficiente”.
Mas como será difícil estarmos pór perto da encrenca, admiramos de longe. Deprimidos. Ouçam “Londo Calling” do The Clash e aproveitem aí de casa!
Fotojornalismo Gonzo: Galeria Choque Cultural/ Livro Pirata

Fala, pessoas! Hoje houve o lançamento do livro “A História da Arte Pirata”, da Dobra Editorial, na galeria Choque Cultural, em Sampa.
Ao contrário do que indica o confuso título do livro ele NÃO fala sobre a “arte pirata através dos tempos”. A grafia mais correta provavelmente seria “A História da Arte (pirata)” porque nada mais é do que um livro que pirateia o conteúdo do clássico livro homônimo escrito po E. H. Gombrich – que apesar de muito conceituado, é uma obra pra lá de entediante…
Calma! Antes que chamem a polícia, vale ressaltar que o livro sofreu uma BRUTAL releitura de mais de 120 artistas diferentes (eu inclusa!). Cada um pegou uma página do livro e fez a sua releitura. Tudo valeu: desenho, tipografia, música, vídeo, gif. , fotografia, texto, etc! O resultado é um caos maravilhosamente coeso de arte das mais variadas formas. Virou praticamente um outro livro!
O lançamento foi esta tarde na galeria Choque Cultural, que eu não conhecia e achei demais! O livro teve uma tiragem limitadíssima e NÃO terá outra. Ou seja, se você quer ver esta maravilha só lhe resta uma opção: piratear! E você pode fazer isso no site oficial do projeto http://www.livropirata.com/ e ter acesso a todo o seu conteúdo. Porém a versão Original do livro Pirata a essa altura está provavelmente esgotada (curioso… como pode haver “originais” de uma obra pirata, certo?), mas felizmente tenho a minha Cópia (bom, se é cópia então não é original… mas não é pirata porque é uma cópia autorizada… mas espere aí! Eles autorizaram as cópias piratas… hã…) aqui comigo guardadinha. E uma outra cópia está neste momento na Biblioteca Pirata Byam Shaw, em Londres! UAU! Uma obra minha na Inglaterra… *____*
Bem, para não chover no molhado e publicar aqui imagens do livro acho que é melhor vocês baixarem ele no site de uma vez. Prefiro postar neste espaço fotos da galeria Choque Cultural, que neste bimestre está exibindo a arte do grafiteiro Daniel Melim até o dia 26 de agosto. TODAS as paredes da galeria cobertas pela obra do artista… vão lá ver, rápido! Porque o mais triste é que no próximo bimestre a arte dele não mais existirá porque será coberta pelo próximo expositor. Bom… coisa de grafiteiro!
Fica aqui as fotos do lugar. Bom divertimento!









Galeria Choque Cultural - Rua João Moura - 997 - São Paulo - Terça a sábado
Matéria Gonzo: Pastilhas Rock II

Amy Winehouse morreu.
Recebi a notícia enquanto jogava Elder Scrolls IV: Oblivion, mergulhada na rotina de matar trolls, goblins e ogres (jogo excelente, alias!). Quem me deu a notícia foi minha mãe, sempre ligada no rádio da cozinha.
Fiquei chocada. Chocada e triste. Ela era uma das poucas coisas que prestava em termos de música nesta última década. Desliguei o jogo, corri para internet e vi que a notícia já começava a se espalhar. Assim como o irritante moralismo da galera falando sobre “dorgas” e sobre a insistência da cantora em não querer ir para a “rehab” e dizendo que ela “morreu por que quis”. Bando de filhos da puta pedantes! Se eles tivessem a MÍNIMA idéia do quanto é complicado uma pessoa largar um vício… se só rehab bastasse não teríamos tantos drogados recaídos – que são a maioria, alias – e se o problema da morte dela fosse só as drogas, não teríamos Keith Richards firme feito uma rocha com mais de sessenta, subindo em coqueiros e tudo.
Mas isso não muda nada. Ela se foi… aos 27 anos! Entrou para o mesmo seleto e triste clube de Morrison, Joplin, Cobain, Hendrix e Jones. Pena, talvez o organismo dela não fosse tão resistente quanto o de David Bowie, Iggy Pop ou Steve Tyler (só para citar alguns), ou talvez seus fantasmas fossem grandes demais. Pois o que realmente mata uma pessoa são seus fantasmas, a droga é apenas um dos MUITOS meios.
Seja como for, 23 de Julho de 2011 ficou marcado como a data da morte de nossa querida Amy. E mais: também era a data da minha primeira exposição de arte. No Pastilhas Rock II.
I Told You I Was Troble
Eu estava animadíssima!
Faz semanas que eu estava pensando nisso. Pensando nesta exposição e selecionando trabalhos. Os dignos de exposição eu realmente achava muito poucos e pensei que talvez eu poderia fazer alguns extras, mais legais, para exibir. Vários desenhos meus expostos, que emoção! E eu ainda teria que fazer uma moldurinha em papel-cartão para eles para ficarem bem bonitinhos. O homem do evento Pastilhas Rock II, Vinicius, disse que eles seriam pendurados numa parede bem grande. Tenho que caprichar!
Porém os dias foram passando e a procastinação me pegou (além da missão principal do jogo Elder Scrolls que também exigiu muito de mim nos últimos dias). Não fiz praticamente nenhum desenho extra. Apenas um, feito na caneta bic às pressas na véspera do evento. Achei que sete trabalhos poderiam ser desagradavelmente insuficientes, mas paciência…
Pensei em como poderia ser a apresentação. Pensei em fazer umas molduras mais malucas, talvez em preto e vermelho (não, não sou flamenguista!). Talvez realizar alguns desenhos ao vivo e colar na parede na hora ao som do rock que seria tocado durante a festa. Poderia também colar, em tipografia diferenciada, os dizeres de Gombrowicz, “A arte perturba os satisfeitos e satisfaz os perturbados”. Sim, isso descreveria exatamente o misto de emoção e temor que eu tinha diante desta oportunidade. Uau, minha primeira exposição!
Infelizmente todos os planos mirabolantes foram morrendo à medida que eu fazia TUDO, menos organizar minhas coisas. E me vi há apenas 4 horas do início do evento com os meus desenhos soltos e sem moldura nenhuma. E todas as papelarias fechadas naquela tarde de sábado. Tô meio down, principalmente com a recém-chegada notícia da morte da querida Amy. Fico imaginando “é bem provável que façam uma homenagem à ela, toquem músicas dela… eu também preciso fazer uma homenagem!” Mas que jeito?! Sem tempo hábil nenhum! Decido que vou levar meu caderno de desenho e minhas canetas – qualquer coisa eu desenho ela lá durante o evento. Mas… ei! Não se esqueça! As molduras, as molduras!
Corri até uma loja de 1,99 e comprei duas folhas de PVC pretas e tentei fazer umas moldurinhas em volta dos meus trabalhos. Tentei do verbo fracassei, ficaram horríveis! Então decidi apenas encapar os desenhos em plástico. Yeah, bem rústico, bem “punk”!
2 horas para o evento. Ia começar que hora mesmo? As nove da noite? As dez? Nem sei, nem vi o flyer direito. Ah, preciso consultar o mapinha para ver direitinho o endereço do espaço Cidadão do Mundo para não me perder. Sim, a cidade de São Caetano do Sul é praticamente um condomínio, mas para eu errar caminhos é dois palitos. Felizmente o lugar ficava bem próximo da estação. Mesmo assim anotei o mapa mal e porcamente no verso de um recibo de uma conta recém paga e enfiei no bolso.
Mochila arrumada. Desenhos encapados. Dinheiro para o ônibus e o trem no bolso… ah, eu já tenho uma passagem de trem perdida na carteira, irei economizar 2,90 hoje. Lá vamos nós!
Saio de casa às 8 da noite e julgo que seja muito cedo ainda. Decido ir a pé. Na orelha, meu celular tocando o melhor de Winehouse: Back to Black, Love is a Losing Game, Rehab, Valerie, Wake up Alone e You know I’m not Good. Puxa… que merda perder ela!
Ah, também lembrei. Faz dois dias que não tomo meu medicamento do psi: Fluoxetina. É, preciso manter os MEUS fantasmas sob controle senão…! Mas é melhor assim, sem tomar o remédio, pois eu pretendo beber nesta festa e não é bom misturar tarjas vermelhas com álcool. Não quero fazer uma homenagem DESTE tipo à Amy, de qualquer forma.
E lá vamos nós para o Pastilhas Rock II!
Tempted to work
Pego o trem na estação “Prefeito Assassinado – Santo André”. Vejo uma galera jovem (ou se fazendo de jovem) bem arrumada, provavelmente prontos para a balada e para pegar o trem para São Paulo. Um garoto de cabelos compridos exibe, orgulhoso, a garrafa de pinga escondida na jaqueta e conta para os amigos “que fumou um beck!”. Amadores…
Bem, todo mundo tem esta fase, não é? Se não é “Olha, galera! Eu sou cool! Eu fumo maconha e bebo destilados!” é sempre outra coisa para se exibir e ganhar a atenção como alguém de destaque do grupo. “Olha, pessoas! Eu sou do grupo Voluntários de Cristo! Eu espalho preconceitos e julgo as pessoas! Não sou demais?!”. Drogas, sempre drogas…
Quanto a mim, talvez eu tenha tido sorte de ter um organismo resistente como o do Paul McCartney (lindo!) que apesar de ter se jogado na maconha e LSD tá vivo e forte até hoje – e segundo uma entrevista insuspeita de poucos anos atrás, CONTINUA amigo da marijuana. Por isso as poucas drogas que provei nunca me viciaram. Sem falar que eu tenho uma arma natural contra o vicio: sou pão-dura. Às vezes, antes de participar da rodinha do beck com os meus amigos eu pensava “Cara, se eu me viciar nisso vai ser uma merda porque eu vou ter que gastar dinheiro toda a semana comprando esta coisa!”. Sim, talvez este pensamento foi o verdadeiro motivo que não me permitiu viciar em maconha, mesmo eu fumando constantemente durante um ano. Não sinto a menor falta e, pelo menos para mim, bebida legalizada me entorta a cabeça MUITO mais que aquele punhado de catnip de humanos.
Mas voltando ao ponto: em poucos minutos cheguei na “Estação Condomínio São Caetano do Sul”. Hora de pensar na festa e na minha exposição!
Saio da estação e pergunto para um grupo de transeuntes onde fica a rua que procuro. Eles dizem que é longe, que talvez eu precise de um ônibus. Mal sinal… Indicam-me uma travessa desta rua que vai cruzar com ela “láááá embaixo” segundo eles. Lá vou eu! As ruas são escuras e desertas e destacam-se as luzes da matriz das Casas Bahia no entorno. Quando estou chegando na tal rua indicada… oh, espere um pouco! Eu JÁ achei a rua que eu queria! Mas não era longe?!
Melhor para mim. Sigo a rua em apenas uma quadra e encontro o lugar. Espaço Cidadão do Mundo, uma pequena casa. Estranho… eu tinha lido no flyer que ia ter Pick Ups com som, não ia?! Pensei que seria, tipo, um quintal aberto ou algo assim. Talvez um evento na rua. Estranho.
E mais estranho ainda é eu ver tudo fechado e nenhuma campainha. Meto a mão na porta de correr de metal e consigo abri-la. E dou no lugar: um espaço mínimo. Aconchegante, mas mínimo. Não esperava. E então começo a procurar pelo homem do evento.
“Vinícius? Ainda não chegou!”
Tudo bem, eu espero! Enquanto isso arranjo uma mesa e cadeira e observo o movimento. Vejo umas sete pessoas organizando as coisas. Montando o palco e arrumando o bazar. Bazar? Ah é, ia ter bazar também! Vejo duas moças organizando algumas camisetas estampadas, no qual o namorado de uma delas chama de “peitas”. As estampas são aquelas super descoladas que estamos acostumados a ver nesta década: Poderoso Chefão, Mágico de Oz, Noiva de Frankenstein, Mussum… peraí, Mussum? Vocês AINDA tão no Mussum, minha gente?
Chega outra moça com o namorado, ajeitando algumas roupas de frio. Blusas de lã e casacos. Ah sim, e trufas! Uma senhora traz trufas para vender! Arte para o tato e paladar, suponho. Mais ou menos chega o cara com quem eu falei pela net, o Vinicius. Enfim alguém que eu conheço!
“E aí! Como tá? Que bom que cê veio, etc!”
Fazemos as apresentações. Ele me reconhece porque eu provavelmente seria o único ser humano no mundo que estaria desenhando no meio de uma balada… ou melhor, pré-balada, porque ainda não começou. Largo meu caderno de desenho e começamos a conversar sobre a exposição.
“Eu estava pensando em pendurar os desenhos na parede do bar, mas acho que o pessoal não ia ver. Melhor pendurar aqui.”
“Onde?”
“Aqui!”
Num lugar tão pequeno não há muito onde se pendurar as coisas. Então meus desenhos ficam bem na área do bazar. Descolo uma fita dupla-face e começo a coloca-los na parede, em cima de uns negócios de madeira. As pessoas olham, elogiam e tal. “Você desenha muito bem!” comentários simpáticos e simples. Ajeito os sete desenhos. Realmente para o tamanho da parede não eram poucos não. E assim eles são pendurados, ou melhor, colados! Abaixo deles as peças das moças do bazar. Um interessante sincretismo cultural. Êba! Minha primeira exposição!

Minha Exposição
Mas eis que me vem o pensamento copo-meio-vazio: “Por que você tá tão animada? É a só a porra dos seus desenhos colados numa parede! Mais nada! Você nem tá sendo paga!” Ok, ok! Mas calma, é um começo, né? O primeiro show de grandes bandas do rock também foi uma porcaria e miado pra chuchu.
E por falar em miado… bate onze da noite e o número de pessoas mal dobrou. Temos, no máximo, vinte homo sapiens, sendo que são convidados não-pagantes. Calma! A festa ainda vai começar de verdade! Ou assim eu espero.

...e abaixo o bazar.
Stronger than Me
Meia-noite. Logo será a apresentação da primeira banda.
“Quantas bandas são?”
“Serão duas.”
“Só duas?!”
Confiro o flyer de novo. De fato eram apenas duas bandas marcadas. Achei pouco para algo que seria um “evento de rock”, mas tudo bem. Isso significa que voltarei cedo para casa. Ótimo, porque começa a me bater uma depressãozinha: vinte pessoas numa festa, eu não conheço NINGUÉM e todo mundo se conhece. Chato isso…
Enquanto não rola as bandas o DJ coloca umas músicas. Ska e outros ritmos que não conheço muito bem. Nada suficientemente dançante para se distrair. Alias ninguém está dançando e não serei eu a primeira a fazer isso. Até porque eu só danço em locais que tem aquela luz que fica piscando, sabe? Porque aí, por causa das interrupções de luminosidade, ninguém repara o quanto você dança mal.
A fome começa a apertar. Vou até o bar do evento (que NÃO estava sendo organizado pelo pessoal do Pastilhas, mas sim por uma senhorinha que parece ser a responsável pelo Espaço Cidadão do Mundo). Vejo que eles têm pizzas. Pizzas recém-compradas em algum lugar. Fome! Compro um pedaço e nem reclamo do preço: 4 reais!
Como um pedaço da de calabresa num suspiro. Está semi-quente. Nem peço refri nem nada. Alias nem cerveja nem destilados. Quando estou com fome não fico muito no clima de beber. Peço outro pedaço e fica sabendo que não dá para esquentar um pouquinho mais porque, por algum motivo, o microondas não funciona. Esquivo-me da pizza de mussarela à temperatura ambiente e peço outro pedaço da de calabresa. Pelo menos tem carne e alimenta mais. Mais 4 reais. Com 8 reais já paguei praticamente metade da pizza sozinha! Adeus, economia das passagens…
E começa o Rock e’ Roll! Assim mesmo: “Vamos começar, galera! Vocês querem Rock e’ Roll?”
Honestamente? A PRIMEIRA banda que eu vir que NÃO começar com esta iniciação básica já ganhará o meu respeito de cara. Não foi o caso da nossa querida Giallos.

Banda Giallos
Eles são um trio, uma guitarra e uma bateria, mais o vocalista tocando gaita de vez em quando e sacudindo umas maracas. Parece pouco, mas mesmo com o minimalismo de instrumentos a banda parece musicalmente arrojada e fazem um som legal.
Ah, a propósito, “Giallo” é um gênero literário e cinematográfico dos anos 60 e 70 que seria uma espécie de “noir Italiano”. Muito violento, muito erótico e cujas capas dos livros eram geralmente amarelas (giallo na língua romana). Este, obviamente, é a origem do nome da banda.
O vocalista faz o famoso tipo “chapado”, imortalizado por caras como Iggy Pop. A diferença, é claro, é que o Iggy REALMENTE estava chapado durante os shows, o cara não. Mas ele chama bastante a atenção, como todo vocalista deve fazer. A música não é exatamente casada com a letra, que parece mais uma declamação com som de fundo. Uma combinação interessante, mas que na minha vibe “latinha-meio-vazia” não cola. As letras têm alguns palavrões, tem a palavra Rock e’ Roll (caralho…) e são meio estilo Cabeça-Dinossauro dos Titãs. Nada contra, mas tipo… estão atrasados algumas décadas, suponho. Oh! Quem sou eu para falar em “atrasados algumas décadas”? Eu sou fã dos Beatles, caramba! Otária!
Seja como for as dez pessoas da platéia, que são obviamente amigos da banda, aplaudem e curtem o show. Não teve ninguém pulando e saltitando, mas todos parecem satisfeitos após os curtos 30 minutos que a banda tocou. Ok, é um tempo razoável para você curtir e conhecer um som que você nem conhece. Aplaudo o trio e dou umas beiçadas na Heineken de alguém.
“Em breve a próxima banda: Espasmos do Braço Mecânico!”
Arregalo os olhos pela primeira vez naquela noite. O nome da banda é bem interessante. De fato é um dos mais interessantes desde o nome de outra banda andreense que conheci tem uns anos, chamada “Sentimento Carpete”. Alias, por onde será que andam? Aquela era uma banda de Punk ABC muito boa!
Falando em Punk, penso como antigamente o som das bandas era ruim, mas as letras eram boas e originais. Hoje parece ser o contrário. As bandas alternativas tocam muito bem, mas as letras são meio manjadas. Imagino que para você criar uma letra REALMENTE bacana você precise de uma carga maior de ódio e indignação, coisa que é complicado achar outro porque o mundo está sempre te anestesiando, sempre querendo que você mantenha o controle.
Mas eu tenho indignação aos montes! Penso nestes malditos moralistas que postaram na net afora que Amy “praticamente suicidou-se” e falando coisas como “é a favor de liberar as drogas, cadê seu deus?” ou ainda “tá vendo, eu disse!”. Gente de mente estreita! Classe-média de vidas médias, valores médios, ambições médias e inteligência submergente! Esse bando de “gente comum” merece o fim que tem! Merece ser assaltada, merece ter o carro batido, merece ser enganada por político, merece ter as Casas Bahia ligando todo dia cobrando crediário atrasado, merece ter um trabalho entediante por trinta anos e depois se desesperar para pagar as sessões de botox. Para eles, eu fiz esta letra de música:
Aplaudam, Filhos da Puta!*
*Imaginem o som meio “Ramones encontra Sex Pistols”.
Não fala comigo!
Se mata e me poupe de você!
A morte dos outros é o seu deleite
Rir de quem caiu em cima de você!
Aplauda, filho da puta!
Aplauda, filho da puta!
Tesão por obesidade mórbida
Boiando na vida, medo de nadar e afundar
Precisam ter pena da sua dor de corno
Do crediário que te abandonou
Aplauda, filho da puta!
Aplauda, filho da puta!
Você está seguro
Alimentado, estúpido e feliz
Sem dinheiro para a gasolina
Mas feliz com o som do carro
Aplauda, filho da puta!
Aplauda, filho da puta!
Ria do fantasma dos outros
E esqueça o seu até ele te pegar
Aí eu vou aplaudir.
Cuzão!
Tá, não rimou. Não ficou legal, mas é isto que eu sentia quando ouvia essa gente falar da pobre Amy. Sim, também não podemos colocar todos os deprimidos e tristes nas algemas da auto-piedade e ficar com peninha deles o tempo todo que isso não vai ajudá-los, mas… porra! Se fosse fácil a arte nem existiria, porque a arte é basicamente isso: pegar a dor, a dúvida e o medo e transformar no intangível que você deseja para si. Os maiores artistas do mundo sempre foram os mais deprimidos.
Caramba! To só falando merda… deixa eu voltar para a pauta da matéria.
Enquanto esperava a segunda (e última) banda entrar caminho pelo pequeno espaço. Não tenho muito o que fazer. Tento me aproximar das rodinhas e tabular uma conversa, mas o lugar-comum “você desenha muito bem” é a única coisa que consigo arrancar da galera. Acho que não estou irradiando muita simpatia esta noite.
Enfim sobe ao palco “Espasmos do Braço Mecânico”.

Banda Espasmos do Braço Mecanico
Outro trio: duas guitarras (ou uma guitarra e um baixo, não sei a diferença) e um batera que chama mais a atenção em sua performance que os frontmen. Mal sinal.
Não sei se as letras deles são boas porque mal consigo ouvi-las. Nas primeiras duas músicas o grupo parece meio acanhado, agradecem ao espaço cedido e tals e cantam. Parece com MUITA coisa que eu já ouvi por aí em termos de Heavy Metal. A apresentação é bem insossa, mas aí começam alguns problemas técnicos no microfone e no alto-falante. Curiosamente são justamente estes problemas que fazem a banda crescer a medida que o show passa. O baterista joga as baquetas para o alto, finge não querer tocar, estas coisas. Mais problemas de som na batera. Curiosamente ficou legal! A banda termina muito melhor do que começou. Opa, já acabou? Ah é, são só trinta minutos.
O show termina e, tecnicamente, o Pastilhas Rock II também. São dez para as duas da manhã e o local já fica com clima de fim de balada. Sento num canto, aguardando o Vinicius me dar uma carona prometida para casa. O pessoal vai arrumando as coisas em ritmo de lesma. Vou recolhendo meus desenhos da parede – minha última esperança, que alguém de uma das duas bandas achasse eles legais e pedisse para eu desenhar uma capa de Cd ou coisa assim, morre logo depois que todos vão embora. Minha primeira exposição acabou tão silenciosamente quanto começou…

Meu desenho refletindo meu estado de espírito...
Fica só o pessoal da técnica, conversando, bebendo e repartindo o que sobrou da pizza que, agora, a tiazinha distribui os restos da mussarela fria de graça. Uma das moças do bazar termina de recolher suas coisas e me presenteia com uma trufa de amarula que ela trouxe para vender (alias, ninguém vendeu nada naquele dia). Que bom! Meu pagamento pela exposição foi uma trufa, pelo menos não foi de graça!
As três da manhã eu já estou encostando a cabeça na mochila. Quase na hora de ir embora é que finalmente o DJ toca umas músicas que eu conheço: “The man Who sold the World” do Bowie, “I Fell Fine” dos Beatles (na sequencia… estranho!) e quando já estou do lado de fora, esperando o pessoal trazer o carro, ouço “Just like Heaven” do Cure. Lembra minhas primeiras baladas de revival oitentista, quando eu dançava pra caramba! Sinto uma vontade de ir para o meio do palco e dançar, mas… porra! Não tem mais ninguém lá dentro. Já acabou! Hora de ir para casa!
Enfim entro no carro e sou levada para meu lar.
Entrei em casa e a primeira coisa que eu fiz foi procurar a minha caixa de fluoxetina. O show acabou e, no final, ninguém fez uma homenagem à querida Amy…
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
I go back to Black…

Bye...
Roda Viva

Provocações – Mino Carta
Em dia de final de BBB, tive um frescor mental ao assitir esta entrevista de Mino Carta no programa Provocações, da TV cultura. Jornalista italiano, residente no Brasil. Criador da Quatro Rodas, da Veja (do qual ele lamenta muito hoje em dia…) e do Jornal da Tarde. Vale a pena!

Assista agora. Segue link:
Press for Dummies

Pense nisso

Se você riu desta tirinha é porque você NÃO é jornalista!
Segue o link ==> http://www.planetaosasco.com/oeste/index.php?/2011032310402/Coluna-politica/folha-frauda-contrato-de-jornalistas.html
Resenha Gonzo: Espreme que Sai Sangue

Olá, jovem “foca”! Sim, esta resenha é feita especialmente para você, estudante de jornalismo! Alias, para todos os corajosos solipsistas que cursam uma faculdade, na esperança de que um pedaço de papel de origem animal faça suas vidas melhores… escuta com atenção! Quero que todos vocês façam um favor para mim:
Dirijam-se até a biblioteca da sua universidade (se é que vocês sabem onde ela fica), procurem a estante com livros de Comunicação e vasculhem suas prateleiras em busca deste discreto livrinho, cuja capa está gloriosamente postada acima. Se vocês encontrarem o dito-cujo, parabéns! A sua universidade não é tão pé-de-chinelo como vocês pensavam! Se não encontrarem, intimidem a mulher de óculos no balcão (aquela que sempre pede para os estudantes do recinto baixarem a voz e maneirarem nos palavrões) e faça a sugestão deste livro. Ele DEVE estar na lista das próximas aquisições da sua gloriosa instituição de ensino.
ESPREME QUE SAI SANGUE é um pequeno clássico dos tomos jornalísticos. Não é exatamente um livro técnico ou didático, sendo considerado mais como uma curiosidade. O livro, escrito em 1995 por Danilo Angrimani, publicado pela Editora Summus, é um estudo de caso da imprensa sensacionalista.
Neste precioso tomo, o autor nos brinda com uma interessante monografia sobre o desejo mórbido do ser humano de parar no seu caminho só para ver o cadáver estendido na rua. Fala um pouco sobre o nosso querido Fait Divers, das origens do sensacionalismo na imprensa – pintada com suas chamativas cores “amarela” e “marrom”. Tece um relato sobre o moralismo humano e como várias midias sanguinolentas usam-no para se venderem. E nos presenteia, no final, com um extenso capítulo falando especificamente sobre o extinto diário Notícias Populares.
… e o Lobo Mal estruprou (sic) a Chapeuzinho…
Há muito tempo atrás, num mundo onde não havia programas como “Aqui Agora” e malucos regados à bazófia disfarçada de “seviço-público”, como o Datena, havia o jornal Notícias Populares (1963-2001), NP para os íntimos. Considerado o veículo de informação diária do povão, ele foi o pai do tablóide Meia-Hora e de todas as outras mídias sensacionalistas do pais – do papel, passando pelo rádio, até a televisão e internet. “Nada mais que a Verdade” era o slogan do periódico.
Conhecido por apelar em suas manchetes apenas para vender mais, o jornal era praticamente um show de horrores. Assassinatos bizarros, vida pessoal alheia exposta, atentados à moral e aos bons costumes, pseudociência, seção de apedrejamento e preconceitos raciais/sexuais/políticos/etc. eram as pautas mais comuns. Basicamente, o jornal reunia tudo aquilo que o povo gostava (e ainda gosta).
Muitas manchetes são pontuadas durante o texto. Coisas insólidas, como “Bicha põe rosquinha no seguro”, “Brocha bota o pênis na tomada”, “A morte não usa calcinha” e colunas como “Histórias da Boca” e “Tudo sobre Sexo”. Ah! Admita! Você IA querer dar uma olhadinha nesse jornal, sim senhor!
O capítulo que fala sobre o NP é rico e variado. Porém, existe curioso um estudo de caso em especial no final que é a grande cereja do bolo. Trata-se da história do infame Bebê Diabo.
O Diabo é conterrâneo do Lula!
Em 1975, um jornalista muito bem-intencionado foi cobrir uma pauta num hospital de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, sobre um bebê que teria nascido com má formação. Outra bizarrice que poderia render boas vendas para o NP. Não se sabe exatamente o que o meu distinto colega encontrou lá, mas seja como for a pauta era furada – ou não era “sensacional” o suficiente. Então, ele decidiu simplesmente escrever uma crônica, a qual eu reproduzo mui solicitamente para vocês logo abaixo:

NASCEU O DIABO EM SAO PAULO
Durante um parto incrivelmente fantástico e cheio de mistérios, correria e pânico por parte de enfermeiros e médicos, uma senhora deu a luz num hospital de São Bernardo do Campo, a uma estranha criatura, com aparência sobrenaturais, que tem todas as características do Diabo, em carne e osso.
O bebêzinho, que já nasceu falando e ameaçou sua mãe de morte, tem o corpo totalmente cheio de pelos, dois chifres pontiagudos na cabeça e um rabo de aproximadamente cinco centimetros, além do olhar feroz, que causa medo e arrepios. Parece que tudo começou na Semana Santa, quando o marido da mulher, que é muito religioso, convidou-a para ir à igreja, ver a procissão. A mulher grávida, bateu com as mãos na barriga e respondeu indignada:
– Não vou, enquanto este diabo aqui não nascer.
E foi o que realmente aconteceu. A mulher acabou tendo como filho um monstrinho horripilante, peludo, que ao falar, mais parece que está mugindo.
Inicialmente, há quinze dias, quando os boatos começaram a surgir, poucos acreditavam na história absurda do nascimento do capeta em São Paulo, mas pouco a pouco, os comentários aumentaram e agora, principalmente em São Bernardo do Campo e cidades do ABC, ninguém mais duvida da existência do monstrinho diabólico.
Entretanto, segundo as autoridades médicas, não foi registrado nas últimas semanas nenhum nascimento de alguma criança com problemas congênitos ou anomalias pavorosas. Mesmo assim, até telefonemas de Brasília e outras cidades, estão chegando em São Bernardo, de pessoas que perguntam como o Diabo é, o que que ele come e como é sua aparência, tudo logicamente, desmentido pelos funcionários.
O Hospital São Bernardo, onde se acredita que o Diabo esteja escondido, encontra-se em fase de construção, sendo que a maioria de seus pacientes, é do INPS.
O médico Fausto Figueira Mello Júnior, que ao lado de 12 colegas o dirige, afirmou que dos 15 partos diários, todos são praticamente normais: – Aqui não nasceu nenhum diabinho.
Por outro lado, o diretor administrativo, Roberto Saad, é de opinião que tudo isto não passa de uma piada de mal gosto contra o hospital. Parece porém que, o crescimento do boato e a credulidade de algumas pessoas chegaram a preocupar o secretário da Promoção Social, Enzo Ferrari. Ele, após percorrer todos os hospitais daquela cidade, distribuiu uma nota oficial, desmentindo o boato, dizendo que em São Bernardo do Campo não existe nenhum bebê-monstro.
Entretanto, a própria preocupação do secretário aumentou em algumas pessoas a crença de que o Diabo existe e está disposto a fazer cumprir as profecias satânicas, aumentando o mal na Terra.
– E os primeiros a serem atingidos serão os moradores de São Bernardo do Campo, disse uma senhora, fazendo o Padre-Nosso, defronte o Hospital São Bernardo, onde se encontrava com os olhos demonstrando muito medo.
Assim, aquela que de início era uma estranha e absurda história, agora tomou corpo e chega a preocupar as autoridades daquele município.
Os telefonemas continuam, nas esquinas e nos bares o assunto é só sobre o capetinha e muitos insistem que os responsáveis pelo hospital onde ele nasceu, deveriam colocá-lo em exposição, para que todos vissem o bebê que fala, tem chifres e um bonito rabo de cinco centímetros.
Hããããã?
Mesmo que o próprio Satã tivesse, realmente, nascido em São Bernardo (conjecturas, claro!) repare que este texto, provavelmente, receberia um redondo ZERO de qualquer professor de jornalismo decente. Não especifica qual hospital, o nome dos pais e as únicas fontes confiáveis afirmam que não têm diabo nenhum na cidade. Em suma, não há dados suficientes para preencher todas as velhas 6 certezas jornalísticas: “O quê? Quem? Como? Onde? Quando? Por quê?”.
Mesmo assim MUITA gente caiu no conto!
O periódico sumiu das bancas em questão de horas. Nos dias que se sucederam, todas as pessoas que tinham lido o jornal entraram em pânico. Relatos fantasiosos sobre cidadões que de fato VIRAM o tal bebê começaram a pipocar por toda a parte. As manchetes seguintes eram ímpares: “Bebê-diabo pesa 5 quilos”, “Bebê-diabo inferniza padre no ABC”, “Bebê-diabo parou táxi na avenida”, “Fanáticos ameaçam bebê-diabo do ABC” entre outras. A história deu linha na pipa, e esta voou longe. Durante quase um mês, o assunto foi debatido pelo populacho crente.
Hoje já é notório que tudo não passou de uma grande brincadeira. Porém, mostra o tamanho da força que uma historinha mal escrita poderia ter sobre a massa. Até hoje, ainda existem muitas pessoas que acreditam de pé junto em tudo que se lê num jornal ou numa revista (até na Veja!) é verdadeiro, sem deixar espaço para sua própria cachola funcionar e ponderar os fatos e buscar outras fontes de informação. Estão aí casos bem mais tristes que estes, como o já longamente debatido caso Escola-Base, entre outros.
Vale a pena pegar este livrinho e espremê-lo até consumir todas as gotas do seu precioso liquido vermelho (metaforicamente falando, claro!). Pode ser um pouco difícil de encontrar, pois aparentemente ele encontra-se esgotado. Mas é para isso que servem os milhares de sebos da Sé, não é mesmo?
É pouco provável que o seu professor de Jornalismo se incomode em sugerir esta leitura à você: ele já tem uma pilha imensa de outros livros, bem mais chatos, para você piratear na xérox da sua faculdade. Mas se você realmente se interessa por sexo, sangue e violência, ESPREME QUE SAI SANGUE será uma leitura bastante inteligente – algo raro de se ver, mesmo nos tais “veículos sérios” da imprensa hoje em dia.
Estilo Caricato